Cultura e Meio Ambiente

Arne Sucksdorff: uma vida dividida Um filme sobre Arne Sucksdorff

3 de março de 2004

Brasilienses verão primeiro o filme sobre cineasta e ecologista sueco-brasileiro

 



      Será lançado no dia 16 de fevereiro, no Cine Brasília, o filme Uma Vida Dividida sobre o ecologista e cineasta sueco-brasileiro Arne Sucksdorff. O filme, dirigido pelo cineasta brasiliense Fernando Camargos, é uma mistura de ficção e realidade para contar a trajetória de Arne Sucksdorff. 


Em cena, quatro alunos de cinema da Universidade de Brasília: Joaquim Pedro (Murilo Rosa), Leila (Clarice Cardel), Glauber (Henrique Rovira) e Odete (Jussara Della Rocca) decidem filmar a vida de Arne Sucksdorff.


No trabalho, o quarteto, cujos nomes homenageiam atrizes e cineastas, passa por dificuldades comuns na produção brasileira e entra em conflito. Desta forma, Joaquim Pedro vai para o Pantanal. Glauber deixa o projeto porque não é correspondido no amor por Leila. O documentário, entretanto, não é interrompido e acaba sendo concluído por Leila e Odete.


Escrito pelo diretor e por Márcia Toledo, Uma Vida Dividida, é o primeiro longa-metragem de Fernando Camargos. “A idéia do filme – lembra o diretor – surgiu no início da década de 90, quando o cineasta trabalhava na Suécia, fazendo um vídeo sobre o teatrólogo Augusto Boal. Nesta época, percebeu a importância e a influência do trabalho de Sucksdorff no Brasil, para o movimento ecológico e o Cinema Novo.


De volta ao Brasil, Camargos fechou parceria com o publicitário Jens Olesen que passou a ser o produtor executivo do filme. Prêmio Resgate do Cinema Brasileiro, o filme contou com a ajuda do Ministério do Meio Ambiente, Funatura, Governo do Mato Grosso, Folha do Meio Ambiente, Pólo de Cinema e Vídeo Grande Otelo, e do Filme Instituto da Suécia. 


Arne Sucksdorff é um dos nomes mais conhecidos da produção sueca depois de Ingmar Bergman. “Arne Sucksdorff é um dos grandes cineastas do século XX. Ele foi o primeiro a fazer filmes ecológicos, com histórias contadas do ponto de vista dos animais.”, afirma Camargos que trouxe o cineasta de volta ao Brasil durante as filmagens em 1994.







Universitários da UNB homenageiam Arne Sucksdorff, 
atrizes e cineastas


Disney


O trabalho de Sucksdorff com os animais foi tão marcante que Walt Disney o convidou para trabalhar com ele. Arne não aceitou porque Disney fazia a humanização dos animais. 


Arne Sucksdorff chegou ao Brasil em 1962. Já era um cineasta consagrado com o Oscar da Academia de Cinema Americana, Palma de Ouro em Cannes, Festival de Veneza e Urso de Prata em Berlim. Na época, ele trouxe a primeira moviola plana e o primeiro Nagra usados no país. Foi uma revolução tecnológica no cinema brasileiro, permitindo o surgimento do Cinema Novo. A viagem tinha um objetivo: ministrar, por seis meses, curso de cinema. Sucksdorff teve como alunos nomes como Arnaldo Jabor, Glauber Rocha, Eduardo Coutinho, Eduardo Escorel, Joaquim Pedro de Andrade e Dib Luft, entre outros. Acabou apaixonado pela diversidade da fauna e da flora tupiniquins.


Vivendo no Pantanal, Arne Sucksdorff esqueceu o tumultuado mundo urbano e tornou-se cada vez mais próximo do que existia no interior brasileiro. Lá, ele realizou o filme O Mundo à Parte e o livro Pantanal Paraíso Perdido.


O filme Uma Vida Dividida, ganhou o Prêmio Von Martius de Meio Ambiente na categoria Humanidade. O filme tem depoimentos de ecologistas como Maria Tereza Jorge de Pádua, Paulo Nogueira Neto, Paulo Romano, Carlos Alberto de Xavier e cineastas como Nelson Pereira dos Santos, Amir Labaki, Luís Carlos Barreto etc.


Atualmente Fernando Camargos está trabalhado na produção do curta metragem O Ouro de Urbano – O Primeiro Mito Brasiliense, sobre a lenda da mina de ouro que Urbano do Couto achou no Distrito Federal no século 18.