Editorial

Caro Leitor

22 de julho de 2004

Diplomacia e o Meio Ambiente

AmizaO homem é movido em direção ao seu interesse, seja ele econômico, político ou sentimental. Ou seja, o ser humano defende e protege seus amigos, sua família e seus parceiros, ataca quem se diz seu inimigo e é extremamente isento e justo com quem não lhe diz respeito. Assim são os executivos de empresas e assim também são os chefes de governo das nações. Roma invadiu a Europa e a África sempre atrás de algum tipo de bem: nunca cultural, sempre material. A Inglaterra, a Europa, Portugal e Espanha conquistaram o mundo também porque estavam atrás de recursos naturais – ouro, prata e especiarias – e até de recursos humanos – escravos. Hoje o império norte-americano pressiona e até faz guerra pelos mesmos motivos: defender mercados e ter petróleo. Nada mudou. Nem os homens, nem as nações e muito menos seus objetivos. A única coisa que muda é exatamente o objeto de desejo. Se antes era o ouro, hoje é o gen de uma planta; se no passado eram as especiarias, hoje são as propriedades terapêuticas de um cipó; se antes era o escravo, hoje é o petróleo; e se outrora era a terra, hoje é o espaço. E assim caminha a humanidade…


Mas tem uma coisa que o homem começou a perceber que para ele conquistar, não basta ser mais forte e nem ir à guerra. Tem que entrar num acordo já: o meio ambiente. E o motivo é bem simples: a Terra é uma só. O ar e o clima, como as aves do céu, não obedecem fronteiras. O efeito estufa, a biodiversidade, os recursos hídricos e o degelo polar são elementos da natureza que, para o bem ou para o mal, vão influenciar lá e aqui. No norte e no sul. Na Conchichina e no jardim de nossa casa. E como resolver um assunto tão complexo como esse? Como compatibilizar tantos interesses de tantas nações onde vivem mais de 6 bilhões de seres humanos? Não adianta fazer um cabo de guerra. Há que haver inteligência, bom senso, equilíbrio para colocar os prós e contras na mesa e ver o que será melhor. Para isso, nada como o bom exercício da diplomacia.


Não adianta os países ricos acharem que cooperação internacional significa assistencialismo. Não é nada disso. Não adianta também os países do primeiro mundo conservarem seus interesses estritamente comerciais, dando com uma mão e tirando com a outra. Não vai funcionar. Proibidos de darem subsídios agrícolas, não adianta dar uma de esperto e transmutar os benefícios financeiros usando o marketing da defesa de uma biodiversidade que nem existe mais em suas terras.
Pela força e pelo dinheiro, o futuro continuará incerto. Pela pressão e pela guerra, não haverá salvação. É o que a diplomacia do mundo vai procurar mostrar nas centenas de encontros, cúpulas, reuniões, tratados e acordos de uma agenda internacional que estamos mostrando nessa edição. A entrevista com o ministro Éverton Vargas, chefe do Departamento de Meio Ambiente do Itamaraty, sobre a agenda ambiental do mundo para 2004 e 2005 é uma bússola e uma lição. Como bússola, o ministro Éverton mostra para onde o Brasil e cada nação vão poder ir e, como esperança, ele abre um caminho de fé: a Terra, como morada, e a vida, como um bem sobrenatural, só serão salvos pelo debate honesto e pelas parcerias verdadeiras que tragam no seu bojo muita generosidade e ética. Os tomadores de decisão precisam ser, acima de tudo, bons zeladores do planeta e da vida.
Obrigado, SG


SUMMARY


Dear reader
Man moves toward his interest, be they economic, political or emotional.  In other words, the human being defends and protects his friends, his family and his partners and attacks anyone calling themselves his enemy, but is extremely fair and just with those who do not.  This is the definition of corporate executives as well as of the heads of state of nations.  Rome invaded Europe and Africa to acquire something, never cultural, always material.  England, Europe, Portugal and Spain conquered the world also because they were after natural resources – gold, silver and spices and even human resources – slaves.  Today the North American empire exacts pressure and makes war for the same reasons:  to defend markets and obtain petroleum.  Nothing has changed – not man, or nations and much less their objectives.  The only thing that has changed is the exact object of their desires.  If it was gold before, now it is the plant genome; if in the past it was spices, today it is the therapeutic properties of a given plant; if man sought slaves before, today he seeks petroleum; if once we desired land, now we covet space.  This is the way of mankind.
However, man has begun to perceive one thing: to conquer it is not enough to be strong or go to war.  We must reach an environmental accord now.  The reason for this is quite simple – there is only one planet earth.  The air and the climate as well as the birds in the sky do not heed boundaries.  The greenhouse effect, biodiversity, water resources and the thawing of the polar caps are elements of nature, which for good or bad, will create an impact here and there from north to south, in Conchichina and in our own backyards.  But how do we solve such a complex problem?  How do we unite so many interests of so many countries, where over six billion people live?  It doesn?t do any good to fight a war.  If there is intelligence, good sense and a balance of the pros and cons on the negotiating table, something good is bound to happen.  However, in order for this to take place good diplomatic skills are needed. 
It doesn’t do any good for wealthy nations to believe that international cooperation means assistance – no way.  It also won’t do any good either if first world countries reserve their strictly commercial interests, giving from one hand and taking away with the other.  It doesn?t work.  Prohibited from extending agricultural subsidies, it won’t do any good to play the clever one and alter financial benefits by the use of biodiversity defense marketing – biodiversity which no longer even exists in that country.  
The future will continue uncertain despite efforts and money.  There is no salvation despite pressure and war.  This is what world diplomacy seeks to prove in the countless meetings, summits, conventions, treaties and accords on the international agenda, which we are featuring in this edition.  The interview with Minister Everton Vargas, head of the Itamaraty Environmental Department regarding the world environmental agenda for 2004 and 2005 is a compass and a lesson.  As a compass, Minister Vargas points to where Brazil and each nation can go, and as hope, he opens the path toward faith:  The World as a place to live and life as a supernatural asset can only be saved by open debate and by true partners who have a great capacity for generosity and ethics in the palm of their hands. The decision makers need to be, above all else, good watchdogs of the planet and life. 
Thanks, SG