Editorial

Caro Leitor

20 de outubro de 2004

Prêmios Ambientais

Existem milhares de premiações no mundo: prêmios de governos, prêmios de empresas, prêmios de organizações não governamentais, prêmios de academias de arte, de cinema, de entidades religiosas, prêmios esportivos e até prêmios para jogos de azar. Existem prêmios para valorizar iniciativas pioneiras, revolucionárias e humanitárias, como existem também prêmios que são mais jogadas de marketing, que servem mais de trampolim para se conseguir espaços na mídia ou para satisfazer egos de governantes ou empresários. Tal qual as medalhas, existem prêmios e prêmios. Como a vaidade é um ativo sempre em alta no mercado, as premiações podem dar visibilidade e notoriedade para premiados e também para premiadores. As injunções negativas e positivas são inerentes a toda atividade humana e não é por isso que se vai desvalorizar as muitas premiações que existem por aí. Pelo contrário. Dentro da regra do bom senso, temos que saber diferenciá-las, valorizá-las, respeitá-las e até incentivá-las. Como jurado, pela quarta vez consecutiva, do Prêmio von Martius, da Câmara de Comércio Brasil e Alemanha, posso garantir que não é fácil administrar um prêmio e nem escolher um premiado. Como não é fácil administrar ou manejar um castigo. Se há responsabilidade e coerência, ambas decisões são tomadas no fio da navalha.
Evidente que há prêmios sujeitos a mil formas de manipulação de interesse político, ideológico ou empresarial. Por exemplo, entre os mais de 300 prêmios pela paz que existem no mundo, um deles é destaque por ser o mais importante e de dimensão mundial: o Prêmio Nobel da Paz, que foi dado esse ano à ambientalista do Quênia, Wangari Maathai (Página  21).
Veja, amigo leitor, mesmo um prêmio que tem tanta unanimidade e que é tão criterioso, também merece reparo. Não quero discutir se todos os que ganharam o Nobel da Paz fizeram por donde. Acho que todos fizeram muito por merecê-lo. Mas eu acho que houve uma omissão: em 103 anos de Nobel da Paz, o homem que no século passado encarnou como ninguém a realidade da não-violência, que fez de sua liderança um exercício de paz, não o ganhou. Por que o Comitê Nobel Norueguês não concedeu essa honraria a Mahatma Gandhi, principal personalidade da independência da Índia? Para mim, um mistério. Mesmo que esse fato não diminua o valor do Prêmio Nobel, ele ajuda na seguinte observação: um prêmio – qualquer que seja – sempre vai servir de incentivo, de recompensa e vai influenciar positivamente outras pessoas. Mas o prêmio maior, mesmo, é entender que cada dia bem vivido e que cada final de dia de consciência tranqüila valem mais do que muitas honrarias. E se, por acaso, elas ainda vierem, ótimo. Virão por acréscimo. Na verdade, ninguém precisa ser o melhor. Basta fazer bem aquilo que faz.


SUMMARY


Dear reader
There are thousands of awards in the world:  awards from governments, awards from companies and nongovernmental organizations, awards from arts academies, filmmakers, religious groups, sports awards and even gambling prizes.  There are awards in appreciation of pioneering, revolutionary and humanitarian efforts and there are awards which can be classified better as marketing ploys which serve more as a trampoline to gain media coverage or satisfy the egos of governing officials or entrepreneurs.  As medals go, there are awards and then there are awards.  Vanity is always a highly sought asset on the market and awards can confer visibility and notoriety to those award winners but the givers as well.  There are negative and positive aspects inherent to all human efforts and the many awards that are around should not necessarily be disparaged for this reason.  To the contrary, within the confines of good sense, we must learn to differentiate them, respect them and even encourage them.  As a judge for the fourth consecutive year, of the Von Martius Award granted by the Brazil – Germany Chamber of Commerce, I can guarantee that it is not easy to manage an awards process or even select the award winner, just as it is not easy to impose a punishment.  If there is responsibility and coherence, both decisions are taken on the razor’s edge. 
Of course some awards are subject to thousands of ways of manipulating political, ideological or business interests.  For example, among the over 300 peace awards that exist in the world, only one of them is highly recognized as outstanding from a global standpoint:  the Nobel Peace Prize, which this year was awarded to the Kenyan environmentalist, Wangari Maathai. (Page 21)
So, dear reader, the same prize that carries such unanimity of opinion and high level of criteria, also deserves attention.  I do not want to discuss whether all of those who won the Nobel Prize deserved them.  I believe that all of them worked hard toward deserving  them.  However, I do believe that there was an omission:  in the 103 years of the Nobel Prize, the one man who in the past century personified as no one else the reality of nonviolence, and who made his leadership an exercise in peace never won.  Why did the Norwegian Nobel Prize Committee not bestow this honor to Mahatma Gandhi, the major force behind the Independence of India?  It is surely a mystery to me.  Even though this fact does not serve to diminish the value of the Nobel Prize, it has helped me form the following observation:  no matter what the award, it will always serve as an encouragement, reward and will positively influence other people.  However, the biggest reward, in fact is the understanding that each day lived well and an easy conscious at the end of the day, are worth far more than many honors.  And if the awards do by any chance come, they can only add value to our lives. In reality, no one needs to be better, one only needs to do what he/she does to the best of his/her ability
SG