Pelo Brasil

Floresta por prédios

30 de julho de 2010

UFBA desmata seu próprio Memorial de Mata Atlântica

Descaso com a memória


 Universitários, professores e ambientalistas estiveram no local para conhecer o problema. Simone Bortoliero, pesquisadora, vice-presidente da Associação Brasileira de Jornalismo Cientifico e coordenadora do Grupo de Jornalismo Científico e Ambiental da UFBA, ficou estarrecida com o fato e circulou uma carta na Universidade. A justificativa do desmate para a construção de um prédio para o Instituto de Humanidades deixou as coisas ainda mais difíceis.


Espaço privilegiado
A verdade é que a reserva é um privilégio para a Universidade. Até mesmo a decisão, há dois anos, do Conselho Universitário em construir novos prédios no local é polêmica.
 A decisão está na proposta do plano federal que prevê o aumento das vagas e que tem como consequência a ampliação da infraestrutura e ampliação da área construída. O fato – diz a professora Simone – é que o campus de Ondina já se transformou num canteiro de obras, mas nunca poderíamos imaginar que iríamos construir em área de mata em recuperação.
  Estudos de alunos de graduação, orientados por diversos professores, demonstram que a mata contem espécies florísticas de mata atlântica (Nunes, A. T.; Roque, N. 2006. Levantamento florístico das espécies arbustivo-arbóreas dos fragmentos de mata do Campus de Ondina da Universidade Federal da Bahia Salvador, Bahia). O relatório informa que além de animais dispersores de sementes, em 2009, alunos introduziram vária espécies originárias de mata atlântica.
Para Simone Bortoliero “existe uma contradição entre o texto do Plano Diretor e o texto divulgado no site oficial. Por isso os representantes do Conselho Universitário, órgão responsável pela aprovação do Plano Diretor, poderiam ajudar a elucidar o que entendem pela área do Memorial da Mata Atlântica”. 


 


 


 


 



Ambientalistas consideram que a UFBA cometeu crime ambiental e as construtoras podem ser arroladas no processo


Repercussão


O Movimento AMA – Amigos do Meio Ambiente encaminhou denúncia para a RAMA – Rede de Articulação e Mobilização Ambiental que está em contato com  outras redes ambientais além de alunos, professores, ambientalistas, biólogos,  para ajudar no levantamento voluntário do que foi perdido. Ambientalistas consideram que a UFBA cometeu um crime ambiental. As próprias empresas terceirizadas podem ser arroladas também no processo.


?É realmente vergonhosa a situação e muito mais constrangedora pelo fato de se tratar de uma ação da Universidade, que deveria, como porta de conhecimento e pesquisa, condenar intervenções dessa natureza?.
Jacy  Nunes, jornalista


?Tomei um susto quando fui chamado pelo Movimento AMA para fotografar e quando cheguei lá, aquele clarão enorme, fiquei realmente chocado. O Campus de Ondina é conhecido e reconhecido pela biodiversidade e pela preservação?.
Alen Ebert, aluno de Publicidade da UCSal e voluntário do AMA.