SOS Serra Vermelha

Serra Vermelha: Ministra pede proteção

20 de julho de 2011

Izabella Teixeira assina moção do Conama que pede proteção para área ameaçada pelas carvoarias e grilagem de terras no sul do Piauí

A Polícia Federal precisa aumentar ainda mais a fiscalização na região contra carvoeiros.


 


A área de floresta tropical, Cerrado e Caatinga da região da Serra Vermelha é considerada uma das regiões com maior biodiversidade do Nordeste, segundo pesquisas do Museu de Zoologia da USP, coordenadas pelo cientista Hussam Zaher. Em 2006 o próprio Ministério do Meio Ambiente tinha aprovado um projeto que iria desmatar cerca de 78 mil hectares da floresta nativa para produção de carvão vegetal visando abastecer as industrias siderúrgicas do Brasil e do exterior.




“A floresta onde se localiza a Serra Vermelha, no sul do Piauí, continua sendo alvo de destruição por empresários que estão transformando a vegetação em carvão vegetal. Os crimes ambientais acontecem onde ambientalistas e o próprio MMA pretende criar o Parque Nacional Serra Vermelha.”







 O projeto chamava-se Energia Verde e foi paralisado definitivamente pela Justiça Federal, além de sofrer fiscalização do Ministério do Trabalho que descobriu uma série de irregularidades no empreendimento. Desde então, o grupo responsável pela área, a JB Carbon S/A, pensa em implantar no local uma termoelétrica movida a lenha nativa para abastecer a região de Bom Jesus, o que segundo os ambientalistas, causaria os mesmos danos a floresta da região, além de contribuir para o efeito estufa com a emissão de fumaça na atmosfera.


Pelo documento publicado no Diário Oficial da União no dia 05 de maio de 2011, a presidente do Conama e ministra do Meio Ambiente acatou a solicitação do professor e biólogo Francisco Soares, da Fundação Rio Parnaíba, e determinou que a Polícia Federal, Ibama e Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade- ICMBio realize investigações e operações de fiscalização da área no sul do Piauí. O texto, de certa forma, comprova que o governo do Piauí não tem feito sua parte na proteção da região.


Dalton Macambira não respeita a lei


O ambientalista e professor Francisco Soares é o único piauiense com cadeira no Conama. Segundo Soares, a medida da Ministra vai contra as ações do Secretário Estadual de Meio Ambiente do Piauí, Dalton Macambira. “O secretário que deveria cuidar do meio ambiente não respeita a lei da Mata Atlântica e continua licenciando projetos de carvoarias na região, inclusive dentro da Área de Proteção Ambiental do Rangel, uma APA estadual nas imediações da Serra Vermelha”, garantiu Soares. Para ele, seria de extrema importância que o governador Wilson Martins (PSB), fizesse a substituição imediata do secretário. “Pelo menos até que tudo seja investigado. Se ao final ficar provado que Dalton Macambira é inocente, ele volta ao cargo”, sugere o ambientalista. O Ministério Público Federal do Piauí, através do procurador Tranvanvan Feitosa, também já tinha se reunido com a Polícia Federal hà alguns dias para determinar fiscalizações e operações policiais na Serra Vermelha, visando combater a produção ilegal de carvão, o trabalho escravo, a grilagem de terras, ameaças aos pequenos proprietários e até a morte de ambientalistas. (AP)





Considerando o tamanho da área do projeto Energia Verde e sua localização, entre dois Parques Nacionais, o da Serra da Capivara e e o da Serra das Confusões, além do núcleo de desertificação de Gilbués, o empreendimento necessitaria de um EIA-RIMA devido à inexistência de estudos.





Professora Raquel Fernandes



Professora Raquel Fernandes e seus alunos na APA do Rangel – Piauí


 


 


 


 


Morte suspeita de ambientalista


Existe uma forte suspeita de que a ambientalista e diretora da APA do Rangel, professora Raquel Fernandes, morta num acidente automobilístico alguns meses atrás, possa ter sido vitima de um grupo de carvoeiros que foram denunciados no Jornal da TV Globo em matéria do jornalista José Raimundo. Na época da produção da matéria, Raquel Fernandes foi a guia da equipe de reportagem e, segundo comentários na cidade de Curimatá, ela ficou marcada pelos empresários do ramo da carvoaria.


Segundo informações não confirmadas, sua mãe chegou a prestar queixa na delegacia local, mais o caso não teve andamento desde então. Para a Rede Ambiental do Piauí (Reapi), instituição que reúne uma série de ONGs do Piauí, grande parte deles ligados a defesa do Meio Ambiente, essa medida pode, de certa forma, trazer a tranquilidade para a região. “Fizemos uma série de denúncias Brasil afora e chegou a hora da Justiça brasileira tomar uma posição em relação aos muitos crimes que estão acontecendo nessa área do Piauí, todos, diga-se, sem o menor controle por parte das autoridades estaduais”, afirmou a jornalista Tânia Martins, coordenadora da instituição.



Mais ameaças ao ambientalistas


Na segunda semana de junho a casa do professor Francisco Soares, em Teresina, capital do Piauí, foi invadida por três homens armados que procuravam o ambientalista. Como ele não se encontrava na sua residência, a casa foi toda revirada e os invasores não roubaram nada, o que aumenta as suspeitas de que o alvo era o biólogo e ambientalista piauiense. A Polícia Civil e a Polícia Federal investigam o caso. (AP)



A Ministra Izabella Teixeira acatou a solicitação do professor e biólogo Francisco Soares, da Fundação Rio Parnaíba, e determinou que a Polícia Federal, Ibama e ICMBio realize investigações e operações de fiscalização da área no sul do Piauí.