Ferreira Gullar, o novo imortal

29 de outubro de 2014

Maranhense foi o primeiro Secretário de Cultura de Brasília

O poeta, dramaturgo e crítico de artes FERREIRA GULLAR (84 anos) foi eleito dia 9 de outubro para Cadeira 37 [de Ivan Junqueira] da Academia Brasileira de Letras. Cada vez mais imortal, por sua obra, Ferreira Gullar agora é imortal para valer. Em 2010, o escritor ganhou o Prêmio Luís de Camões, o mais importante prêmio literário da Comunidade de Países de Língua Portuguesa.

 

Durante o lançamento do livro “Em Alguma Parte Alguma “, na livraria Travessa, do Leblon-RJ, três ex-Secretários de Cultura de Brasília: Ferreira Gullar, Silvestre Gorgulho e o cineasta Sílvio Tendler.

Estar junto com Ferreira Gullar na Galeria de ex-Secretários de Estado de Cultura de Brasília é uma grande honra prá mim. Sim, pouca gente sabe, mas Gullar foi o primeiro Secretário de Cultura do Distrito Federal. Na época o título era Presidente da Fundação Cultural. Uma deliciosa historinha sobre Ferreira Gullar de quando trabalhou aqui em Brasília.

Em abril de 1961, Ferreira Gullar foi encarregado de organizar as comemorações do primeiro aniversário da Capital.
Inaugurada em 21 de abril de 1960, afinal como foi comemorado o primeiro aniversário de Brasília, em 1961? 
 
Evidente que com todas as dificuldades de uma cidade ainda na placenta da história. O que ficou da festa – além de um singelo coquetel no gabinete do prefeito Paulo de Tarso, foi a poesia que nasceu da pena do encarregado de fazer as comemorações: o presidente da Fundação Cultural, poeta Ferreira Gullar.  A verdade é que com seus cento e poucos mil habitantes, Brasília teve mais poesia do que festança, no seu primeiro aniversário.
Sem nenhum tipo de condução e sem nenhum apoio logístico para celebrar o ANO 1 da nova Capital, Ferreira Gullar foi buscar a solução no bravo Exército Nacional. Marcou audiência. 
 
Um major o recebeu mui educadamente. 
Depois de muita conversa, o oficial se saiu com essa: 
– Dr. Gullar, tudo bem, mas o problema é viatura e gasolina.
– Eu sei, mas qual a solução?
– Dr. Gullar, não tem solução!
Sem solução, sem apoio, com bastante poeira e muita inspiração, Ferreira Gullar aproveitou o vinho comemorativo no final de tarde do dia 21, na sala do prefeito Paulo de Tarso, sacou do bolso um poema em forma de embolada e discursou para os convivas:
Não adianta seu prefeito abrir estrada.
Não adianta Carnaval na Esplanada.
Não adianta Catedral de perna fina
Rebolado de menina.
Que o problema é viatura e gasolina.
E todo mundo riu muito, mas ninguém perdeu o ritmo:
O problema é viatura e gasolina.
Bons tempos aqueles, quando o astral era altíssimo e o problema era só viatura e gasolina.