Funai
Flecha de índios isolados cala coordenador da Funai
10 de setembro de 2020Sertanista Rieli Franciscato foi morto em Seringueiras, Rondônia.
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Rieli Franciscato foi morto por indígenas isolados de Seringueiras. Sertanista foi morto na quarta-feira (9) em Seringueiras, Rondônia. Franciscato era uma das grandes referências nos trabalhos de proteção aos indígenas isolados da Amazônia. — Foto: Arquivo pessoal
Um policial amigo de Rieli Franciscato, sertanista que morreu após levar uma flechada de indígenas isolados em Rondônia, na quarta-feira (9), narrou os momentos que antecederam a morte do coordenador da Frente de Proteção Etnoambiental Uru-Eu-Wau-Wau da Funai. Segundo ele, os indígenas não contactados apareceram próximos a um acesso viário conhecido como 'linha 6' em Seringueiras. Ele e outra colega da corporação estavam de plantão e registraram a ocorrência de averiguação.
"O Rieli chegou aqui, pediu apoio pro sargento, se a gente poderia ir com ele lá, porque lá é uma área de conflito. O sargento liberou a gente pra ir, a gente foi. Quando a gente chegou lá onde eles apareceram, ele entrou em contato com a senhora dona da terra e perguntou se podia dar uma olhada por onde eles tinham vindo".
Os policiais e Rieli adentraram a região seguindo as pegadas dos indígenas. Quando chegaram na divisa, segundo o relato, viram a placa da reserva com aviso de entrada proibida. Então Rieli começou a subir um morro.
"A soldado Luciana estava atrás dele e eu um pouquinho atrás dela. A gente só escutou o barulho da flecha que pegou no peito dele aí ele deu um grito, arrancou a flecha e voltou pra trás correndo. Ele conseguiu correr de 50 a 60 metros e já caiu praticamente morto. Nosso amigo se foi, infelizmente".
RIELI FRANCISCATO, UMA REFERÊNCIA
Rieli Franciscato, de 56 anos, morreu na quarta-feira (9) após ser atingido no tórax por uma flecha disparada por indígenas isolados em Rondônia. Logo que foi atingido, houve uma tentativa de socorro, mas o sertanista chegou morto ao hospital.
Ele era uma das grandes referências nos trabalhos de proteção aos indígenas isolados da Amazônia. O coordenador defendia o não contato com o grupo e atuava para evitar um conflito com a população local. Também fez parte da equipe que demarcou a primeira terra exclusiva para indígenas isolados.
NOTA DA FUNAI
A Funai declarou em nota imenso pesar com falecimento e informou que que acompanha o caso. "Rieli dedicou a vida à causa indígena. Com mais de três décadas de serviços prestados na área, deixa um imenso legado para a política de proteção desses povos", comunicou por nota o coordenador-geral de Índios Isolados e de Recente Contato da Funai, Ricardo Lopes Dias.
