COP-28

COP-28 EM DUBAI

1 de dezembro de 2023

Abertura da COP28 nos Emirados tem a maior delegação brasileira da história.

Silvestre Gorgulho

No último dia de novembro teve início a COP 28 – 28ª Conferência de Mudanças Climáticas da Organização das Nações Unidas.  O evento segue até o dia 12 de dezembro em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. A expectativa, de acordo com o Painel Intergovernamental Sobre Mudanças Climáticas (IPCC), é de que mais ações concretas ocorram, em comparação com a COP 27, quando muitas negociações continuam no papel.

O presidente da Cúpula do Clima – COPP-28 – Sultan al-Jaber é também chefe da empresa petrolífera estatal dos Emirados Árabes Unidos.

Al Jaber é o primeiro CEO a servir como Presidente da COP e traz consigo uma sólida perspicácia empresarial, uma profunda compreensão da economia e aproveita a sua experiência de décadas no sector da energia, abrangendo tanto as energias renováveis ​​como as tradicionais. Durante o seu duplo mandato como Enviado Especial para as Alterações Climáticas (2010-2016, 2020-presente), Al Jaber desempenhou um papel seminal na definição do caminho da energia limpa do país, incluindo como CEO fundador e atualmente Presidente da Masdar, Abu Dhabi’s iniciativa pioneira em energia renovável, que desde então se tornou um player líder global em energia limpa.

CONSTRANGIMENTO NA COP-28

O presidente Lula chega a COP28 e se encontra com o presidente da Conferência do Clima, Sultan al-Jaber.

 

Já na abertura da COP28, a Presidência da Conferência viveu um momento de crise pública. Sultan al-Jaber foi acusado de aproveitar as negociações climáticas para defender os interesses da petroleira ADNOC. Sultan al-Jaber manteve o silêncio sobre as acusações, mesmo com a irritação de ativistas climáticos e o desconforto de líderes e negociadores com a notícia. Essas revelações foram feitas pela BBC e pelo Centre for Climate Reporting, do Reino Unido, que obtiveram documentos internos da equipe de Al-Jaber que mostram a “atuação dupla” dos representantes dos Emirados Árabes nas conversas preparatórias à Conferência de Dubai.

Os Emirados Árabes – anfitriões da COP 28 – estão posicionados, oficialmente, para serem beneficiados com a transição energética. A discussão em torno do Acordo de Paris continua sendo o ponto chave do grande encontro que tem a participação (injustificável) de mais de 400 brasileiros só do governo. Mais de dois mil brasileiros se inscreveram para o evento. O Acordo tem como finalidade limitar a elevação da temperatura do planeta a 1,5°C, até 2050. Enquanto isso, durante o encontro, o presidente da COP 28, Sultan Al Jaber, busca atingir a meta de 100 bilhões de dólares para o fundo para transição climática. O teto foi estabelecido durante a COP-15 e esse fundo tem como prioridade ajudar

MAIOR COMITIVA DO BRASIL

Se tiver algum tipo de votação, com certeza o Brasil sai na frente. A comitiva brasileira é a maior já enviada a uma Conferência das Partes (COP) da Convenção-Quadro das Nações Unidas para Mudanças Climáticas (UNFCCC). Segundo o Ministério das Relações Exteriores, 2,4 mil brasileiros se inscreveram para participar da cúpula em Dubai, dos quais cerca de 400 são do governo.

Da comitiva oficial do governo brasileiro participam 12 ministros de estado, dentre eles a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também estará em viagem e deve participar do evento entre 30 de novembro e 3 de dezembro. A comitiva brasileira será formada ainda por empresários, cientistas, ativistas e políticos.

COP’28 VAI DISCUTIR REDUÇÃO GRADUAL DO USO DE PETRÓLEO NO CORAÇÃO DOS PAÍSES PRODUTORES

Um dado importante já se apresentou logo no início do encontro da COP’28. Os Emirados Árabes Unidos são hoje o epicentro mundial do diálogo sobre as Mudanças Climáticas e a COP’28 é um marco na agenda climática mundial desta década, já que apresenta o primeiro balanço global dos progressos mundiais em direção às metas do Acordo de Paris, adotado em 2015.

 

PRÓXIMA COP29

Não se bateu o martelo para definição de onde será a próxima COP20. A princípio, o local da conferência do próximo ano seria na Ucrânia. Originalmente planejada para o Leste Europeu, a oposição russa a países da União Europeia complicou a escolha, devido às tensões geopolíticas ligadas à guerra.

Apesar de ofertas da Armênia e Azerbaijão, a rivalidade entre esses países dificulta uma decisão. Se não houver consenso, Bonn, na Alemanha, onde o Secretariado da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (UNFCCC) está sediado, pode ser a alternativa.