Projeto leva conhecimento sobre a geodiversidade de áreas protegidas às escolas
17 de fevereiro de 2025Com foco em unidades de conservação que resguardam cavernas, iniciativa foi realizada no entorno dos Parques Nacionais da Serra do Cipó (MG), da Serra da Bodoquena (MS), da Furna Feia (RN), dos Campos Ferruginosos e da Floresta Nacional de Carajás (PA)
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– Foto: Lorena Lima/CECAV
Recordes de seca e calor, incêndios que consomem milhares de hectares de vegetação, enchentes que afetam diversas regiões. Os efeitos dos desgastes ambientais que todo o planeta tem sentido, principalmente em decorrência da ação humana, torna urgente a necessidade de adoção de medidas para minimizar impactos ao meio ambiente. Diante de um futuro incerto, promover ações ambientais que busquem ensinar, sensibilizar e esclarecer torna-se algo fundamental. A educação ambiental tem sido umas das estratégias adotadas para que o conhecimento obtido por pesquisadores e cientistas seja disseminado e ecoe entre as crianças, jovens e seus familiares. Com esse objetivo, o Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Cavernas (ICMBio/Cecav) desenvolveu uma ação para levar às escolas o aprendizado sobre a geodiversidade brasileira, trata-se do projeto “Valores e usos da Geodiversidade”. Com foco em unidades de conservação que resguardam importante parcela do patrimônio espeleológico brasileiro, ou seja, cavernas e todo o ambiente associado a elas, o trabalho resultou na produção de cartilhas que destacam as riquezas da geodiversidade dos Parques Nacionais da Serra do Cipó (MG), da Serra da Bodoquena (MS), Furna Feia (RN), dos Campos Ferruginosos (PA) e da Floresta Nacional de Carajás (PA).
O trabalho propõe uma visão holística para a conservação da natureza, integrando biodiversidade e geodiversidade. “O patrimônio espeleológico foi o primeiro aspecto da geodiversidade escolhido, sobre o qual buscamos dar maior ênfase nas estratégias de interpretação. Além disso, buscamos parques que guardem cavidades de diferentes litologias. As UCs escolhidas possuem cavernas em rochas carbonáticas, siliciclásticas e ferruginosas. Esperamos sensibilizar as comunidades escolares do entorno das UCs sobre o que é geodiversidade e sobre a importância de sua conservação, com destaque para as cavidades naturais subterrâneas”, afirmou um dos autores do projeto, o analista ambiental do ICMBio/Cecav, Darcy José dos Santos.
Parque Nacional da Serra do Cipó (MG)
Localizado nos municípios de Jaboticatubas, Santana do Riacho, Morro do Pilar e Itambé do Mato Dentro, o Parque Nacional da Serra do Cipó (MG) protege diversas espécies da flora e da fauna brasileiras ameaçadas de extinção, além de contar com paisagens compostas por montanhas, cachoeiras, rios, cânions e cavernas. A cartilha “Montanhas da Geodiversidade – Explorando o Parque Nacional da Serra do Cipó (MG)” detalha o ambiente, os serviços ecossistêmicos e toda a riqueza ambiental da unidade de conservação mineira que junto com a Área de Proteção Ambiental (APA) Morro da Pedreira, faz parte da Reserva da Biosfera da Serra do Espinhaço. As reservas da biosfera compõem importante sistema internacional de conservação ambiental, criado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO). No Parna da Serra do Cipó, o projeto foi apresentado para professores da rede pública de ensino e voluntários que trabalham em atividades de educação ambiental no parque.
Parque Nacional da Serra da Bodoquena (MS)
O Parque Nacional da Serra da Bodoquena compreende os municípios de Bodoquena, Bonito, Porto Murtinho e Jardim. Foi criado com o objetivo de preservar ecossistemas naturais de grande relevância ecológica e beleza cênica. Também é papel do parque possibilitar a realização de pesquisas científicas e desenvolver atividades de educação e interpretação ambiental. Além de tudo isso, a unidade de conservação proporciona o desenvolvimento de atividades recreativas em contato com a natureza e de turismo ecológico. A cartilha “Caminhos da água – Descobrindo a geodiversidade do Parque Nacional da Serra da Bodoquena (MS)” desbravou o local cujo patrimônio espeleológico conhecido é composto por 61 cavernas e feições a elas associadas e que revela um grande potencial de ocorrência de novas cavidades naturais. Já na área de entorno da unidade, encontram-se 149 cavernas conhecidas, sendo muitas delas de relevância mundial. No Parna da Serra da Bodoquena, professores, alunos do ensino médio e membros da Casa de Cultura da região puderam conhecer um pouco mais sobre a iniciativa.
Parque Nacional da Furna Feia (RN)
Localizado na região oeste potiguar, entre os municípios de Baraúna e Mossoró, o Parque Nacional da Furna Feia possui área de 8.494 hectares. Parte dessa extensão se sobrepõe aos projetos de assentamento Eldorado dos Carajás II (MAISA) e Recanto da Esperança. Buscando Integrar essas e outras comunidades do entorno, a unidade de conservação desenvolve projetos de turismo de base comunitária, capacitação e contratação de brigadistas e capacitação de condutores ambientais. Na cartilha “Entre Furnas e Lajedos – Elementos da geodiversidade no Parque Nacional da Furna Feia – RN” poderá ser conhecido um pouco mais sobre o local que abriga um patrimônio espeleológico composto por mais de 200 cavernas e que integra a geodiversidade do parque juntamente com outros elementos abióticos.
Parque Nacional dos Campos Ferruginosos e Floresta Nacional de Carajás (PA)
A Floresta Nacional de Carajás abrange parte dos municípios de Água Azul do Norte, Canaã dos Carajás e Parauapebas (PA). Já o Parque Nacional dos Campos Ferruginosos abrange parte dos municípios de Canaã dos Carajás e Parauapebas (PA), estando parcialmente sobreposto à Flona de Carajás. O patrimônio espeleológico da floresta e do parque nacional conta com cerca de 1600 cavernas conhecidas, de acordo com dados do Cadastro Nacional de Informações Espeleológicas (Canie). O patrimônio espeleológico, juntamente com outros elementos abióticos, integra a rica geodiversidade dessas unidades de conservação, apresentadas na cartilha “Tesouros da terra – Descobrindo a geodiversidade no Parque Nacional dos Campos Ferruginosos e na Floresta Nacional de Carajás – PA”. Na região da Flona de Carajás, o projeto foi apresentado a professores, membros da Secretaria de Educação, além de condutores ambientais e estagiários das duas unidades de conservação.
Além de Darcy José dos Santos, o projeto “Valores e usos da geodiversidade” contou com a contribuição do também analista ambiental do ICMBio/Cecav, Mauro Gomes, do geógrafo Luiz Eduardo Panisset Travassos da PUC Minas e da geóloga Úrsula de Azevedo Ruchkys do IGC/UFMG. O trabalho foi financiado com recursos de Termo de Compromisso de Compensação Espeleológico (TCCE) firmado entre o Instituto Chico Mendes e a Mineração Ferro Puro.