Meio Ambiente

Precisamos avançar da gestão do desastre para a gestão do risco, destaca Marina Silva no Ceará

19 de março de 2025

Na 5ª Conferência Estadual do Meio Ambiente do estado, ministra defendeu decretação de emergência climática permanente nos municípios mais vulneráveis a eventos extremos

mma

5ª Conferência Estadual do Meio Ambiente do Ceará reuniu representantes de governos, sociedade civil, academia e setor privado – Foto: Rogerio Cassimiro/MMA

“Hoje o que se faz, olhando para trás, no velho normal, é a gestão do desastre. Quando o desastre acontece, decreta-se emergência. Precisamos de um marco regulatório que nos faça avançar para a gestão do risco”, afirmou a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, na 5ª Conferência Estadual do Meio Ambiente do Ceará, em Caucaia, na sexta-feira (14/2).

“Cerca de 2 mil municípios brasileiros são suscetíveis a eventos climáticos extremos, a ciência diz isso. Podemos decretar emergência permanente nesses lugares para termos investimentos constantes”, pontuou Marina.

A ministra defendeu a criação de um novo marco regulatório para viabilizar a gestão do risco, que contaria com a implementação de um Conselho Nacional de Segurança Climática, inspirado em modelos como o do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), um comitê técnico-científico, para dar suporte à formulação das política públicas e, por fim, a Autoridade Climática. Essa nova agenda, de acordo com ela, é essencial para que o Brasil se adapte aos impactos da mudança do clima, já sentidos em forma de chuvas, ondas de calor e secas intensas.

Marina Silva também destacou a importância dessas medidas serem discutidas pelas Conferências Estaduais do Meio Ambiente, que ocorreram ao longo da última semana em diversos locais do país, e serem levadas, posteriormente, à 5ª Conferência Nacional do Meio Ambiente (CNMA), que acontece de 6 e 9 de maio em Brasília (DF) com o tema “Emergência Climática: O Desafio da Transformação Ecológica”.

No Ceará, a etapa estadual reuniu representantes da sociedade civil, governos, academia e setor privado com o objetivo de debater e consolidar até vinte propostas para combater os efeitos da mudança do clima no estado, a serem levadas por uma delegação composta por 70 representantes cearenses à CNMA.

A Conferência Estadual é o passo seguinte às etapas municipais e intermunicipais, encerradas em fevereiro, nas quais a população cearense teve a oportunidade de contribuir com ideias e propostas para enfrentar os desafios climáticos locais. No estado, elas mobilizaram 178 municípios, por meio de sete Conferências Municipais, 20 Intermunicipais e quatro Conferências Livres, que elaboraram um total de 347 propostas. Para acessar o Caderno de Propostas do Ceará, clique aqui.

Sobre a 5ª CNMA

A 5ª CNMA é organizada pelo governo federal com o objetivo de discutir e apresentar soluções para os desafios ambientais do Brasil. A edição atual busca criar um espaço democrático que permita à sociedade brasileira contribuir com propostas para enfrentar as causas e impactos da mudança do clima no país.

Iniciada em 2024, a primeira etapa da 5ª CNMA envolveu a realização de 62 atividades autogestionadas e 1.227 conferências livres, municipais e intermunicipais, que mobilizaram 2.455 municípios.

A segunda fase compreende as conferências estaduais e distrital, que ocorrem até 15 de março. Nelas, cada unidade federativa tem a missão de eleger os delegados que representarão o estado na etapa nacional e consolidar até vinte propostas relacionadas ao seis eixos temáticos: Mitigação, Adaptação e Preparação para Desastres, Transformação Ecológica, Justiça Climática e Governança e Educação Ambiental.

O processo culmina na realização da etapa nacional, em Brasília (DF), com a participação de delegações de todos os estados e do Distrito Federal. Neste momento, serão avaliadas as propostas estaduais e apresentadas e consolidadas as propostas finais da 5ª CNMA para a Transformação Ecológica do país no contexto da mudança do clima.

Acesse a página da 5ª CNMA.