conservação

Gato-mourisco retorna à natureza com colar de monitoramento no RJ

4 de abril de 2025

Dispositivo permitirá ao Ibama acompanhar a adaptação do felino, contribuindo para sua conservação

Assessoria de Comunicação do Ibama

Gato-mourisco resgatado será monitorado por pesquisadores após retorno à natureza no RJ.

Gato-mourisco resgatado será monitorado por pesquisadores após retorno à natureza no RJ. – Foto: Divulgação Ibama

Rio de Janeiro (1º/04/2025) – Pela primeira vez, um felino silvestre foi reintegrado à natureza equipado com um rádio-colar para monitoramento remoto no Estado do Rio de Janeiro. O protagonista dessa ação é um gato-mourisco (Herpailurus yagouaroundi), um dos felinos raros da América do Sul, que foi resgatado debilitado e passou por avaliação clínica no Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas-RJ), no município de Seropédica, na Baixada Fluminense.

A soltura foi realizada com o apoio do Programa Carnívoros do Rio, que estuda a ecologia dos predadores nativos do estado, e do Instituto Serra do Tangará. Com o auxílio do rádio-colar, pesquisadores poderão acompanhar a movimentação do animal, entender como ele se adapta ao ambiente e avaliar os desafios para a conservação da espécie em áreas da Mata Atlântica.

Dispositivo permitirá ao Ibama acompanhar a adaptação do felino à natureza
Dispositivo permitirá ao Ibama acompanhar a adaptação do felino à natureza

Do resgate à vida livre

O gato-mourisco fêmea, de aproximadamente dois anos e meio, foi encontrado por moradores em uma área de transição entre mata e zona rural de Paracambi (RJ), o que levanta preocupações sobre o impacto da fragmentação florestal para a espécie. O animal foi resgatado pelo Corpo de Bombeiros e levado ao Cetas, onde passou por cuidados veterinários e um processo de readaptação, incluindo estímulos para avaliação de seus comportamentos naturais.

A escolha do local de soltura foi baseada em critérios ecológicos, garantindo uma área protegida e com recursos naturais suficientes para a sobrevivência do felino. “A introdução do rádio-colar será essencial para acompanhar sua adaptação, permitindo que os pesquisadores avaliem se ele consegue estabelecer território e encontrar alimento sem dificuldades”, explica o analista ambiental do Ibama Márcio Urselino.

Ciência e tecnologia a favor da conservação

O rádio-colar utilizado no gato-mourisco emite sinais via GPS, possibilitando a coleta de dados sobre seus deslocamentos. Essa tecnologia representa um avanço significativo para a pesquisa, já que esses felinos são conhecidos por sua discrição e hábitos solitários, tornando o estudo de sua ecologia um desafio.

“Esse monitoramento nos permitirá entender melhor o comportamento do gato-mourisco e identificar as ameaças que ele pode enfrentar na natureza, como caça ilegal, atropelamentos e perda de habitat”, explica Yan Rodrigues, biólogo responsável pelo Programa Carnívoros do Rio.

A iniciativa reforça a importância de ações integradas entre órgãos ambientais, centros de reabilitação e pesquisadores para a preservação da fauna silvestre. O acompanhamento do animal seguirá pelos próximos meses, e os especialistas esperam que essa primeira experiência abra caminho para futuras solturas monitoradas, contribuindo para a proteção de outras espécies ameaçadas na região.

Assessoria de Comunicação do Ibama