Amazônia

ICMBio desarticula extração ilegal de madeira em Unidades de Conservação da Amazônia

27 de janeiro de 2026

Ações em diferentes territórios protegidos no Amazonas e no Pará interrompem extração ilegal e causam prejuízos milionários a criminosos ambientais

ICMBio

O trabalho de fiscalização é essencial para a conservação da biodiversidade e dos recursos naturais – Foto: Divulgação/ICMBio

OInstituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) segue atuando de forma estratégica e permanente no combate à extração ilegal de madeira na Amazônia. Em ações recentes de fiscalização realizadas em Unidades de Conservação (UCs) federais no Amazonas, no Parque Nacional de Anavilhanas, e no Pará, na Reserva Extrativista Verde Para Sempre, agentes do Instituto conseguiram desarticular acampamentos e estruturas usadas por madeireiros ilegais. Foram apreendidos equipamentos e reduziu-se de forma expressiva o desmatamento, reforçando a proteção da biodiversidade e dos recursos naturais. 

Operações na Resex Verde Para Sempre (PA) reduziram em 80% o desmatamento 

No Pará, a atuação do ICMBio resultou em impactos significativos no enfrentamento ao crime ambiental. A execução, em dois momentos, da Operação Macropomum, realizada em dezembro do ano passado e neste mês de janeiro, desarticulou o roubo de madeira que vinha ocorrendo na porção sul de uma Unidade de Conservação de uso sustentável localizada no município de Porto de Moz (PA). 

Nas duas ações, os agentes inutilizaram uma carregadeira, um barco, uma serraria móvel, dois tratores esteira, dois do tipo skidder e três caminhões madeireiros. O prejuízo estimado aos criminosos ambientais com a destruição desses equipamentos é de cerca de R$ 3 milhões. 

Com a intensificação da fiscalização, o ICMBio conseguiu reduzir em 80% o desmatamento na unidade federal em apenas dois meses. A detecção da extração ilegal de madeira, caracterizada pelo corte seletivo — quando os criminosos adentram a floresta para retirar apenas árvores de interesse comercial — foi possível graças a alertas emitidos pela plataforma Brasil Mais. 

Com o recurso da plataforma, que nos fornece imagens até de pequenas áreas de desmatamento, podemos e realizaremos o monitoramento constante da unidade, a fim de estrangular o roubo de madeira na Unidade de Conservação, afirma o chefe de proteção do ICMBio na Coordenação Territorial de Santarém (PA), Lincoln Michalski.

No Parque Nacional de Anavilhanas (AM), ICMBio desarticula acampamento  

Esta semana, em ação de rotina, fiscais do ICMBio do Núcleo de Gestão Integrada (NGI) Novo Airão desmontaram um acampamento de madeireiros que derrubavam e serravam árvores no interior de uma Unidade de Conservação federal localizada no arquipélago fluvial do Rio Negro, no Amazonas. Durante o patrulhamento, os agentes ouviram sons de motosserras em meio ao labirinto de ilhas fluviais que compõem a área protegida. 

No local, os agentes inutilizaram cerca de cinco dúzias de tábuas e oito toras de madeira, o que corresponde a aproximadamente quatro metros cúbicos de madeira extraída ilegalmente — volume que pode representar mais de três toneladas, a depender da espécie explorada. Guiados pelo som dos motores, os agentes adentraram a mata e conseguiram surpreender as pessoas que serravam madeira em um acampamento instalado no interior da Unidade de Conservação. 

Ao perceberem a chegada da equipe de fiscalização, os infratores fugiram pela mata. A madeira explorada ilegalmente foi inutilizada, e as motosserras e demais equipamentos utilizados no ilícito foram apreendidos. 

“A equipe do NGI ICMBio Novo Airão segue vigilante na proteção territorial das Unidades de Conservação sob sua administração, resguardando o seu patrimônio natural”, afirma Hueliton Ferreira, chefe do Núcleo. Além dessa unidade, o NGI Novo Airão é responsável pela gestão de outras áreas protegidas federais na região. 

Sobre as unidades amazônicas  

A Resex Verde (PA) possui cerca de 1,3 milhão de hectares, sendo considerada uma das maiores UCs de uso sustentável do país. O plano de manejo da unidade orienta o uso responsável dos recursos naturais e a gestão participativa do território, fortalecendo as comunidades extrativistas como protagonistas na conservação da biodiversidade e na manutenção dos serviços ecossistêmicos. 

O Parna de Anavilhanas (AM) é um dos maiores arquipélagos fluviais do planeta. A UC abriga mais de 400 ilhas distribuídas em um intrincado labirinto de canais, lagos e florestas alagáveis, formando um dos cenários mais emblemáticos da Amazônia. Anavilhanas protege cerca de 350 mil hectares de ecossistemas de águas pretas, igapós e florestas de terra firme, reconhecido como um verdadeiro santuário natural.