Educação Ambiental

Território, diálogo e cuidado: a Educação Ambiental no ICMBio

28 de janeiro de 2026

No Dia Mundial da Educação Ambiental, 26 de janeiro, experiências nas unidades de conservação federais revelam como a formação vai além de palestras e campanhas

Comunicação ICMBio 

 

Atividade de Educação Ambiental envolve moradores em ação formativa em Unidade de Conservação: Foto: Divulgação/NGI Cuniã-Jacundá

“Oambiente não precisa de nós, nós é que precisamos dele.” 

–  Nêgo Bispo  

Muito além de falar sobre reciclagem ou entregar panfletos, a Educação Ambiental envolve disputas de território, poder e modos de vida. Inspirada em uma perspectiva crítica, ela se afirma como prática política, coletiva e continuada, especialmente em espaços como as unidades de conservação (UCs) federais. No Dia Mundial da Educação Ambiental (26), evidenciamos experiências desenvolvidas pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), as quais demonstram que, além de educar sobre o meio ambiente, o importante é dialogar com os territórios e com as pessoas que neles vivem, em todas as faixas etárias. 

Nas UCs, a Educação Ambiental acontece no dia a dia da gestão e das relações construídas com as comunidades do entorno, para que elas não só conheçam, mas compreendam a importância dessas áreas protegidas, tenham um olhar mais atento para as questões socioambientais e se envolvam em atividades de proteção do meio ambiente.  

“O diálogo é a chave para qualquer prática educativa e precisa ser exercitado nos diferentes momentos e espaços da gestão”, indica Alex Bernal, coordenador da  COEDU 

O espaço mais privilegiado para isso é o Conselho das UCs – espaço em que diferentes sujeitos podem debater conflitos e construir encaminhamentos coletivos. Nesse sentido, o ICMBio amplia a participação social na gestão das unidades e fortalece a legitimidade das decisões, especialmente em contextos marcados por desigualdades históricas e pela invisibilização de determinados grupos sociais. 

Ao reconhecer que o conhecimento não se limita ao saber técnico-científico, as ações de Educação Ambiental do ICMBio buscam valorizar os saberes construídos pelas comunidades locais e povos tradicionais. Ainda que muitas vezes invisibilizados na esfera pública, Bernal, coordenador de Educação Ambiental e Formação Cidadã do Instituto (COEDU), afirma que “esses sujeitos são detentores de conhecimentos igualmente importantes para a conservação ambiental, motivo pelo qual precisam ser ouvidos e inseridos nos processos e instrumentos da gestão ambiental pública”.   

Ainda segundo o coordenador, “educadoras e educadores ambientais do ICMBio e demais sujeitos que se colocam nesse desafio de organizar práticas de educação ambiental nas UCs têm consciência de que a educação não é neutra, mas sim política”. É a partir dessa ideia que a Educação Ambiental nas UCs contribui para fortalecer o protagonismo coletivo e a participação das comunidades na gestão do território. 

Confira alguns exemplos de ações realizadas pelo ICMBio nas UCs: 

Pesquisa e Conservação da Bonnetia neblinae: Urihi a Aherua Maçarandubinha temi temi: troca de saberes com os Yanomami 

Desenvolvido pelo Núcleo de Gestão Integrada (NGI) Pico da Neblina, no Amazonas, o projeto articula ações de conservação de uma espécie vegetal ameaçada de extinção com a participação efetiva do povo Yanomami. A iniciativa promove a reflexão conjunta sobre os riscos de degradação da maçarandubinha (Bonnetia neblinae), considerando tanto as especificidades ecológicas da planta quanto elementos do sistema de conhecimentos Yanomami. Ao integrar pesquisa científica e saberes tradicionais, o projeto se consolida como um exemplo de Educação Ambiental que valoriza a troca de conhecimentos e reconhece o território como espaço de aprendizagem e cuidado. 

Juventude Extrativista do Lago do Cuniã  

O projeto, realizado pelo NGI ICMBio Cuniã-Jacundá, de Rondônia, busca fortalecer os modos de vida tradicionais e a conservação da biodiversidade na Reserva Extrativista Lago do Cuniã, a partir do protagonismo da juventude. Por meio de encontros formativos, intercâmbios e outras ações de Educação Ambiental, a iniciativa incentiva a participação dos jovens na gestão da unidade e nos espaços de decisão comunitária, contribuindo para sua permanência no território e para o fortalecimento da governança socioambiental local. 

Oficina do projeto registra saberes Yanomami por meio de desenhos antes da expedição. Foto: Divulgação/ NGI Pico da Neblina Jovens da Resex Lago do Cuniã participam de atividade formativa sobre território e gestão. Foto: Divulgação/NGI Cuniã-Jacundá

Pesca Legal: ajustando as redes para uma pesca sustentável 

Desenvolvido pelo NGI ICMBio São Luís, no Maranhão, o projeto promove ações de Educação Ambiental voltadas à pesca nas reservas extrativistas Arapiranga-Tromaí, Itapetininga e Baía do Tubarão. A iniciativa dialoga com pescadores e comunidades locais sobre a legislação pesqueira, buscando o ajuste de condutas, o mapeamento de conflitos e a construção de acordos de pesca, além de fortalecer a organização social e a atuação dos conselhos gestores na gestão dos territórios. 

Outras atividades 

Desde 2023 o ICMBio vem retomando forças no trabalho de Educação Ambiental. Foi em 2024, com a recriação da COEDU, que as atividades ganharam recuperaram o fôlego. Entre as iniciativas, estão a retomada dos cursos de formação em Gestão Socioambiental; o fomento a projetos de Educação Ambiental nas UCs; a elaboração de cursos à distância voltados a territórios tradicionais e a estruturação de um programa nacional de Educação Ambiental para juventudes de povos e comunidades tradicionais. Também integram esse processo o apoio a iniciativas como a Escola das Marés e das Águas;o reconhecimento dos mestres de saberes e a recriação da Coordenação de Educação Ambiental e Formação Cidadã (COEDU), sinalizando a reconstrução de uma política que articula conservação, justiça social e participação popular. 

Comunidades participam de ação do projeto Pesca Legal sobre pesca sustentável. Foto: Divulgação/NGI São Luís Comunidades constroem cartazes em ação educativa do projeto Pesca Legal. Foto: Divulgação/NGI São Luís

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