Santuário preservado

Descoberta de palmeiras albinas reflete alto grau de preservação da Estação Ecológica Rio Acre (AC)

24 de fevereiro de 2026

Exemplares de ouricuri sem clorofila são fenômenos raros na natureza e reforçam a importância da proteção integral para a variabilidade genética das espécies

Comunicação ICMBio 

Registro raro de palmeira-urucuri albina na Estação Ecológica Rio Acre (AC). A ausência de clorofila resulta na coloração branca das folhas, um fenômeno raramente observado em ambiente de floresta nativa – Foto: Rita Portela

A descoberta de dois exemplares de palmeira ouricuri albinas na Estação Ecológica (Esec) Rio Acre, no interior do estado, revela o elevado nível de preservação da unidade de conservação (UC) federal de proteção integral. O achado é considerado um fenômeno raro: sem clorofila, as plantas dependem de um ecossistema extremamente equilibrado para existir. 

Para a pesquisadora Rita Portela, professora do Programa de Pós-Graduação em Ecologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a integridade da área é o que permite tal excentricidade biológica. “Nunca estive em uma unidade tão bem conservada. Isso propicia uma maior variabilidade de metabolismo e de fisiologia dos indivíduos de uma espécie”, afirma. Segundo ela, a Esec é uma referência de proteção na Amazônia e um laboratório vivo essencial para entender espécies que podem enfrentar riscos existenciais devido à mudança do clima. 

Ciência e Conservação 

Diferente dos parques nacionais, as estações ecológicas possuem regras restritas: a visitação é exclusiva para fins educacionais e científicos. Foi justamente durante uma expedição de campo, parceria entre UFRJ e a Universidade Federal do Acre (UFAC), com apoio total do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), que as palmeiras foram identificadas. 

ouricuri é considerada um recurso-chave no ecossistema local, servindo de alimento para grande parte da fauna, como araras e macacos; entretanto, o albinismo em plantas é um desafio à sobrevivência, já que a falta de clorofila impede a fotossíntese, pontua a professora. “Os únicos relatos existentes de albinismo em plantas eram relacionados a cultivos, como tabaco e cacau, ou espécies de laboratório”, explica Portela, que estuda palmeiras há 20 anos. 

Apoio e Monitoramento 

O financiamento da missão foi viabilizado pelo Programa Áreas Protegidas da Amazônia (Arpa), coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente e da Mudança do Clima (MMA), com gestão financeira do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio). O Arpa é reconhecido como a maior iniciativa de conservação de florestas tropicais do mundo, apoiando atualmente 120 UCs federais e estaduais na Amazônia brasileira. Além do fomento a pesquisas, o programa é fundamental para fortalecer o ICMBio na gestão, fiscalização e infraestrutura das áreas protegidas. 

Após a descoberta, os agentes temporários da Esec Rio Acre irão monitorar a evolução das palmeiras albinas, que enfrentam o desafio biológico de sobreviver sem o processo natural de fotossíntese. 

Sobre a Estação Ecológica Rio Acre 

Criada em 1981, a unidade protege uma área de quase 80 mil hectares, equivalente ao território de Santa Catarina. Caracterizada como uma floresta ombrófila aberta, com forte presença de palmeiras e bambus, a Esec é um reduto de biodiversidade. Recentemente, registros de onças-pintadas em comportamento de caça reforçaram a posição da UC como um ambiente de equilíbrio ecológico, com mínima interferência humana, restrita a medidas de restauração, preservação ecológica e coleta de componentes com finalidades científicas. 

Comunicação ICMBio