JOÃO PESSOA É O DESTAQUE NO TURISMO
1 de fevereiro de 2026Três destaques para a capital que protegeu suas praias: 1) Proibiu arranha-céus na orla marítima. 2) Inventou o pôr-do-sol. 3) e Protege Areia Vermelha, uma praia em alto mar.
A cidade de João Pessoa e o litoral da Paraíba estão, hoje, no TOP máximo do turismo brasileiro. Entre muitos outros eventos e distinções, como a Praia de Tambaba e o Cabo Branco (onde está Ponta do Seixas, marco geográfico e ponto mais oriental das Américas), João Pessoa têm outros três destaques especiais: é a única cidade brasileira que proibiu prédios altos na orla marítima. É a capital que inventou o pôr-do-sol como atração cultural, em Cabedelo e criou o Parque Estadual Marinho de Areia Vermelha para proteger uma praia superespecial: o banco de areia de dois quilômetros de comprimento que se forma todas as manhãs, em alto mar, quando a maré está baixa.
Os habitantes de João Pessoa sabem, cedinho, duas informações para a vida da cidade: a hora do pôr-do-sol e o horário da maré. Aliás, essa é uma informação tão importante que em todas as recepções de hotéis e pousadas de João Pessoa esses dois horários ficam em destaque todas as manhãs. Justamente para que o turista não perca as duas atrações: o pôr-do-sol do Jacaré, em Cabedelo, e a emblemática Praia de Areia Vermelha, um extenso banco de areia com cerca de dois quilômetros de comprimento por um de largura, situado em frente à praia de Camboinha, também em Cabedelo.
PROTEÇÃO DA ORLA MARÍTIMA
Quando o normal é a indústria da construção civil avançar sobre o litoral, construindo arranha-céus colados ao mar, João Pessoa, felizmente, está na contramão. A capital da Paraíba adotou, há décadas, regras urbanísticas que limitam a altura dos prédios na orla, preservando a ventilação natural, a paisagem e a qualidade ambiental da região costeira.
Aí o resultado é visível. Enquanto muitas cidades brasileiras enfrentam ilhas de calor, sombreamento excessivo da praia e circulação de ar prejudicada, João Pessoa mantém uma orla mais aberta, arejada e integrada ao espaço urbano.

Menos prédios altos à beira mar significa mais vento circulando. Mais luz natural, menos sombra permanente na faixa de areia. Uma relação mais equilibrada entre cidade e natureza.
PLANO DIRETOR
Protegido por leis municipais e pelo Plano Diretor da cidade, este modelo foi pensado, estudado e não veio por acaso. Houve um planejamento e definição clara de gabarito para construções próximas ao mar. O objetivo sempre foi evitar que o crescimento imobiliário sacrificasse o conforto térmico e a paisagem urbana.

João Pessoa tem a Lei do Gabarito que define um escalonamento progressivo de altura das edificações a partir da linha do mar. Quanto mais perto da praia, menor o prédio. Quanto mais distante, maior a altura permitida.
Em 2017, João Pessoa recebeu o título de Cidade Criativa da UNESCO, na categoria Design. O reconhecimento internacional reforçou uma escolha que já vinha sendo feito localmente: crescer com planejamento e identidade, sem repetir erros vistos em outras capitais litorâneas.
Urbanistas destacam que decisões como essa têm impacto direto na saúde da população. Ambientes mais ventilados reduzem a sensação térmica, melhoram a qualidade do ar e tornam os espaços públicos mais convidativos para convivência e lazer.
Claro, o debate não é simples. Limitar alturas pode encarecer terrenos e reduzir o adensamento em áreas valorizadas. Ainda assim, João Pessoa se tornou exemplo de que desenvolvimento não precisa significar verticalização extrema.
A discussão ganha força em um momento em que muitas cidades tentam reverter danos causados por décadas de crescimento desordenado. Planejar antes de construir sai mais barato — social, ambiental e economicamente.

Praia de Tambaba – Está a 40km de João Pessoa. É um dos principais pontos turísticos da Costa do Conde. Famosa por sua beleza e por ter um trecho destinado apenas aos naturistas ou nudismo.
PÔR-DO-SOL DO JACARÉ
O pôr-do-sol do Jacaré, em Cabedelo, é uma das atrações imperdíveis para quem visita a capital paraibana. Todos os dias, às 17h, quando o sol começa a se pôr, iluminando as águas do Rio Paraíba, o saxofonista Jurandy do Sax, em uma embarcação, executa o ‘Bolero de Ravel’. Quando seu barco a remo atraca no deck da orla, mais ou menos às 18h, um violinista se junta ao SAX para executar a ‘Ave Maria de Gounot’.
Também chamada de “Saudação Angélica”, a Ave Maria de Bach/Gounod é uma das composições mais famosas e gravadas sobre o texto em latim da prece Ave Maria. Gounod sobrepôs uma melodia ao prelúdio de Bach e compôs uma obra encantadora que há mais de 25 anos encanta o pôr-do-sol do Jacaré, no rio Paraíba.

O saxofonista Jurandy do Sax, em uma embarcação a remo, executa o ‘Bolero de Ravel’ no por do sol de Cabedelo. Jurandy está no Livro dos RECORDES como o saxofonista que mais executou o Bolero de Ravel.
Atualmente, o espaço conta com uma série de lojinhas de roupas e artesanatos, além de cafeterias e lanchonetes. Uma recomendação: vale chegar mais cedo porque o evento virou um point turístico e corre-se o risco de ficar preso no trânsito.
PARQUE ESTADUAL DE AREIA VERMELHA.
A praia de Areia Vermelha é outro ponto muito especial. As jangadas estacionadas na Praia de Camboinha estão desde cedo à disposição dos turistas. Para proteger o local, o governo criou o Parque Estadual Marinho de Areia Vermelha. Conhecida especialmente por revelar um banco de areia de dois quilômetros de comprimento durante a maré baixa, a área conta com piscinas naturais de água cristalina e uma grande biodiversidade, o que contribuiu para que se tornasse a primeira unidade de conservação do litoral paraibano totalmente marinha.
São 231 hectares voltados à proteção de, pelo menos, nove espécies de corais e tipos de esponja-do-mar, além de 41 espécies de moluscos, 31 de crustáceos, 55 de peixes e outros grupos da fauna recifal.

O ponto mais emblemático do parque é a Ilha de Areia Vermelha, um extenso banco de areia com cerca de dois quilômetros de comprimento por um de largura.
Apesar da beleza natural, é necessário cautela ao redor dos recifes. Caminhar sobre os corais não é recomendado, tanto para evitar acidentes quanto para preservar esse frágil ecossistema, que pode ser danificado com facilidade.
