MAIS APOIO PARA A TRANSGANDARELA E A TRANSESPINHAÇO.
1 de fevereiro de 2026Primeiro encontro reuniu quase 100 representantes e avançou na criação do Conselho do Mosaico da Serra do Espinhaço: uma conquista do Parque Nacional da Serra da Gandarela.
Realizado em dezembro passado, este foi o primeiro encontro do Mosaico Serra do Espinhaço – Quadrilátero Ferrífero (MG). O Mosaico foi criado por portaria do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), em 2018. Essa reunião foi o marco da retomada de sua implementação para que as Unidades de Conservação (UCs) possam planejar e executar ações em conjunto relativas a diversos temas, como restauração ambiental, proteção e conservação das águas e aquíferos, licenciamento ambiental, Manejo Integrado do Fogo, corredores ecológicos, educação ambiental, uso público em trilhas de longo curso como a Transgandarela e a Transespinhaço.

Em Minas restam poucos aquíferos preservados e um deles está na Serra do Gandarela. As rochas de minério de ferro guardam o que é um sistema natural de coleta lenta de água da chuva e aos pouquinhos filtram para o subsolo. O aquífero armazena água e depois doa, fazendo que brote em nascentes para abastecer os rios.
Para Tatiana Pereira, gestora do Parque Nacional da Serra do Gandarela, tornar o Mosaico atuante vai possibilitar que cerca de 30 unidades de conservação (UCs) trabalhem de forma integrada. “Isso fortalece a gestão e a conservação ambiental, pois os esforços que fazemos para proteger as águas em um parque se potencializam quando investidos de forma coordenada por tantos atores”, afirma.
PARQUE DA SERRA DA GANDARELA
O Parque Nacional da Serra do Gandarela tem riqueza diversa. Além do visual, apresentando exuberantes serras, rios e cachoeiras, o PARNA, criado em 13 de outubro de 2014, é uma importante área de conservação ambiental no coração do Quadrilátero Ferrífero e na porção sul da Cadeia do Espinhaço.
A vegetação é composta por um dos mais contínuos fragmentos de Mata Atlântica de Minas Gerais em transição com formações de Cerrado. O PARNA de Gandarela se destaca também por representar significativas áreas de recarga de aquíferos, com grande ocorrência de córregos e rios que drenam para as bacias dos rios Doce e das Velhas, tomando-se estratégico para o abastecimento presente e futuro da Região Metropolitana de Belo Horizonte. Os amantes da natureza podem seguir trilhas que conduzem a lindas cachoeiras.

O PARNA de Gandarela se destaca por representar significativas áreas de recarga de aquíferos, com grande ocorrência de córregos e rios que drenam para as bacias dos rios Doce e das Velhas.
FICHA TÉCNICA DO GANDARELA
NOME DA UNIDADE: Parque Nacional da Serra do Gandarela
BIOMA: Mata Atlântica
ÁREA: 31.270,83 hectares
DIPLOMA LEGAL DE CRIAÇÃO: Decreto s/n de 13/10/2014
GERÊNCIA REGIONAL: GR5 Sul
ENDEREÇO: Rua Afonso Pena, s/n, Bairro Centro – Rio Acima/MG – CEP: 34300-000 – TELEFONE: (31) 3545-1883
E-MAIL: [email protected]

O Parque protege aquíferos e nascentes que abastecem a Região Metropolitana de Belo Horizonte
PRIMEIRO ENCONTRO DO MOSAICO
O encontro foi marcado por grande motivação de seus participantes para constituir o Conselho e implementar o Mosaico como agenda prioritária para 2026. Muitas das áreas protegidas presentes reivindicaram a sua inclusão dentre aquelas que já compõem o Mosaico oficialmente. E, apesar de ter sido esclarecido que tais UCs também poderão participar do Mosaico e de suas atividades, foi encaminhado que uma das primeiras ações após a constituição oficial do Conselho será uma recomendação para a atualização das UC que constituem o Mosaico.
Para além de representantes do Parque, participaram dezenas de UCs estaduais, municipais, além de Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPN), prefeituras municipais, instituições de ensino, pesquisa e extensão, comunidades, movimentos sociais, organizações não governamentais (ONGs) e empresas que atuam na região.
Tatiana enfatiza a alegria do Parque em ter mobilizado a primeira reunião do Mosaico, resultando em uma reunião com mais de 90 representantes de diversos setores. “O Mosaico certamente poderá contribuir para um avanço importante na gestão integrada de nossas áreas protegidas, o que já ocorre para o Manejo Integrado do Fogo, mas poderá ser aprimorado e feito em outras áreas”, indica.
MOSAICO SERRA DO ESPINHAÇO

O Mosaico contempla a porção sul da Serra do Espinhaço, região que coincide com o Quadrilátero Ferrífero. Os outros dois Mosaicos da Serra do Espinhaço reúnem UCs da porção média e norte mineira, englobando os Parques Nacionais da Serra do Cipó e das Sempre Vivas, respectivamente. Pode-se considerar que o Espinhaço começa na região metropolitana de Belo Horizonte e segue em direção à Bahia. “É um território com várias Unidades de Conservação que se sobrepõem ou estão próximas. Um processo de licenciamento ou mesmo um incêndio que impacta uma, afeta outras. Se elas têm um fórum para discutirem juntas essas questões, todas se fortalecem”, resume a gestora Tatiana Pereira.
TATIANA DESTACA OUTRAS CONQUISTAS
Outra conquista do Parque no último ano é em relação à decisão do Comitê da Bacia Hidrográfica (CBH) Rio das Velhas. Tatiana destaca que é o maior avanço desde a criação da Unidade de Conservação, em 2014. “A nova classificação assegura a conservação da qualidade das águas que o Parque Nacional da Serra do Gandarela foi criado para preservar”, explica. Algo de grande importância, pois algumas nascentes do Ribeirão da Prata estão fora dos limites do parque. Agora, esses cursos d’água não poderão sofrer qualquer impacto que altere suas condições naturais. O Ribeirão da Prata nasce na Serra do Gandarela, deságua no Rio das Velhas e, em conjunto com os demais aquíferos da região, é considerado a caixa d’água da região metropolitana de Belo Horizonte.
