coral-sol

Pesquisadores brasileiros desenvolvem técnicas inovadoras no controle do coral-sol

10 de fevereiro de 2026

Estudos para manejo da espécie invasora iniciaram a partir de condicionante do licenciamento ambiental conduzido pelo Ibama

2026-02-09 Coral-sol em costão rochoso do litoral catarinense.jpeg

Coral-sol em costão rochoso do litoral catarinense – Foto: Marcelo Crivellaro/Acervo PACS Arvoredo

Brasília/DF (09/02/26) – O combate à invasão do coral-sol (Tubastraea coccinea) na costa brasileira tem registrado avanços. Uma pesquisa feita no litoral de Santa Catarina tem apresentado resultados expressivos no monitoramento e no controle da proliferação dessa espécie exótica, a qual pode prejudicar a biodiversidade dos ecossistemas marinhos do país. Tais estudos têm proporcionado o desenvolvimento de técnicas e ferramentas de manejo inovadoras. A expectativa é que essas soluções possam ser replicadas em diferentes regiões do país onde o coral-sol tenha se espalhado.

2026-02-09 Coral-sol (Tubastraea coccínea).jpeg
Coral-sol (Tubastraea coccínea) – Foto: Marcelo Crivellaro/Acervo PACS Arvoredo

A pesquisa foi iniciada em 2022, a partir do Plano de Ação para Prevenção e Controle do Coral-Sol na Rebio Arvoredo e Entorno (PACS Arvoredo). Trata-se de uma medida de mitigação de impacto ambiental referente à Licença de Operação emitida pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), no processo de licenciamento ambiental para a exploração de petróleo do Campo de Baúna, na Bacia de Santos. O PACS Arvoredo contempla pesquisa, monitoramento e inovação, envolvendo estudiosos da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e a equipe do Núcleo de Gestão Integrada do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) em Florianópolis (SC).

Ao longo da pesquisa, foram realizados 114 mergulhos, totalizando 140 horas de monitoramento in loco em aproximadamente 65 quilômetros nos costões rochosos da Reserva Biológica Marinha do Arvoredo. “A partir dos resultados desse mapeamento, as ações de manejo são planejadas e implementadas”, explica a analista ambiental do ICMBio Adriana Carvalhal Fonseca.

Foram desenvolvidos equipamentos para realizar a remoção mecânica dos espécimes, dentre eles martelete, escova elétrica, pistola injetora, disparadores de ar comprimido e dispositivo para aplicação de luz ultravioleta. “Algumas dessas ferramentas e técnicas foram testadas ou adaptadas pela primeira vez em ambiente natural por esse projeto, o que mostra a importância do licenciamento ambiental para a inovação”, afirma o analista ambiental do Ibama Fernando Augusto Galheigo.

As atividades de campo seguem até março. Para Adriana, a expectativa é que os resultados do PACS Arvoredo tragam avanços significativos no controle do coral-sol na unidade de conservação. “A ideia é utilizar esse conhecimento para diminuir a densidade da espécie nos locais já invadidos e, se possível, detectá-la precocemente onde ainda não foi registrado”, acrescenta.

Sobre o coral-sol

2026-02-09 Coral-sol espécie exótica pode causar impactos na biodiversidade brasileira.jpeg
Coral-sol: espécie exótica pode causar impactos na biodiversidade brasileira – Foto: Marcelo Crivellaro/Acervo PACS Arvoredo

Nativo dos oceanos Índico e Pacífico, o coral-sol é um azooxantelado que cresce em águas rasas, em recifes de coral e costões rochosos tropicais. Estima-se que tenha chegado ao Brasil na década de 1980, provavelmente em cascos de navios e plataformas de petróleo. Desde então, tem se alastrado pelo litoral do país.

Com base em um levantamento feito pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), há registros de duas espécies de coral-sol, uma de cor amarela (T. tagusensis) e outra vermelha-alaranjada (T. coccinea). Elas podem estar presentes em costões rochosos naturais e estruturas artificiais no litoral dos seguintes estados: Bahia, Ceará, Espírito Santo, Paraná, Rio de Janeiro, Santa Catarina e São Paulo.

De acordo com a professora Bárbara Segal, da UFSC, ao dominar o ambiente recifal, o coral-sol reduz o espaço disponível para espécies nativas, alterando a estrutura dos ecossistemas e causando perda da biodiversidade marinha brasileira; por isso, deve ser combatida. Em 2018, foi publicado o Plano Nacional de Prevenção, Controle e Monitoramento do Coral-Sol no Brasil, visando à redução desses impactos.

Com informações da UFSC.

Assessoria de Comunicação Social