Desenhos de crianças sobre parques nacionais brasileiros integram exposição na Alemanha
20 de março de 2026Mostra integra parceria internacional firmada durante a COP30 para fortalecer a gestão de áreas protegidas
Visitantes poderão conferir a exposição até 1º de novembro – Foto: Divulgação/Parque Nacional da Floresta Negra
OCentro de Visitantes do Parque Nacional da Floresta Negra, em Ruhestein, no estado de Baden-Württemberg, na Alemanha, inaugurou nesta quinta-feira (19) a exposição temporária “Tesouros Verdes do Brasil – Diversidade Tropical sob a Proteção dos Parques Nacionais”. A mostra reúne imagens da fauna e da flora de unidades de conservação (UCs) federais brasileiras e busca aproximar o público europeu da biodiversidade do país. O destaque está em dois parques nacionais que integram a parceria tríplice com o parque europeu: Itatiaia (MG/RJ) e Pico da Neblina (AM).
Com entrada gratuita, a exposição apresenta as unidades pelo olhar, pelas mãos e pelas cores das crianças, ao mesmo tempo em que chama a atenção para o papel das florestas brasileiras na regulação do clima global. A iniciativa integra a parceria internacional assinada no fim do último ano, durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30).
Em Itatiaia, os desenhos foram produzidos por estudantes da rede escolar da região do Parque que, por meio do programa de visitação escolar, traduziram em ilustrações suas percepções sobre a natureza e as vivências no local. Alunos da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE), com deficiência intelectual, também participaram da atividade.
Os desenhos do Pico da Neblina foram feitos por crianças da comunidade Yanomami de Maturacá, durante uma oficina de botânica. A comunidade está localizada dentro da área da unidade, que apresenta uma importante sobreposição com terra indígena.
De forma remota, o presidente do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Mauro Pires, participou da inauguração e ressaltou a importância do investimento em áreas protegidas para a construção de um futuro sustentável. Ele também destacou as ações educativas desenvolvidas nos parques brasileiros envolvidos.
“Nada melhor para falar de futuro do que valorizar as nossas crianças e o que elas estão produzindo. Uma das diferenças entre os parques do Brasil e o Parque Nacional da Floresta Negra é que nós temos comunidades indígenas que habitam as unidades, o que, inclusive, reforça a manutenção da biodiversidade da área protegida. Os desenhos dessas crianças mostram um elo entre a natureza e o seu modo de vida”, afirmou.
Ele também destacou as expectativas positivas em relação ao acordo de cooperação internacional, que prevê novas ações conjuntas entre Brasil e Alemanha.
O diretor da Sociedade Zoológica de Frankfurt, Christof Schenck, ressaltou o compromisso da instituição com a cooperação ambiental. “Estamos altamente motivados a apoiar as áreas protegidas brasileiras e a trabalhar em estreita colaboração com o ICMBio e as comunidades locais”, disse.
| No parque existem quedas d’água como a gigantesca cachoeira Véu da Noiva e o Mirante do Último Adeus – Foto: Divulgação/Itatiaia | No coração da Amazônia, onde a floresta encontra as nuvens, ergue-se o Yaripo — a Montanha dos Ventos, como os Yanomami chamam o Pico – Foto: Divulgação/Pico da Neblina |
Parceria internacional para a gestão de áreas protegidas
A parceria foi oficializada durante a COP30, realizada em novembro, em Belém (PA). Na ocasião, a ministra do Meio Ambiente, Clima e Energia do estado de Baden-Württemberg, Thekla Walker, assinou, junto ao presidente do Instituto Chico Mendes, um acordo previamente alinhado durante uma missão técnica realizada em julho. O objetivo é a promoção do intercâmbio de experiências em gestão de unidades de conservação, proteção da biodiversidade e práticas sustentáveis.
No Brasil, foram contemplados os parques nacionais do Itatiaia e do Pico da Neblina. Na Alemanha, a cooperação envolve o parque que hoje recebe a exposição, o qual se destaca como a principal área de conservação da região montanhosa que dá nome ao parque (Floresta Negra), na fronteira com a França.
A diretora do parque alemão, Britta Böhr, destacou a importância dessa cooperação. “Um parque nacional isolado não é suficiente para proteger a biodiversidade global. É fundamental fortalecer redes de colaboração entre essas áreas”, afirmou. Ela esteve no Brasil em 2025, quando foi definida a agenda de ações para os próximos cinco anos.
Os parques brasileiros
Fundado em 1937, o Parque Nacional do Itatiaia é o mais antigo do Brasil. Localizado na Serra da Mantiqueira, entre os estados do Rio de Janeiro e Minas Gerais, possui cerca de 300 km² de área e abriga rica biodiversidade, com centenas de espécies de plantas e mais de 350 espécies de aves, além de mamíferos e répteis.
O Parque Nacional do Pico da Neblina, criado em 1979, está situado na Amazônia e é um dos maiores do país. A unidade abriga o ponto mais alto do Brasil, com quase três mil metros de altitude, e reúne ecossistemas variados, desde florestas tropicais até áreas montanhosas envoltas em neblina. Além da diversidade biológica, destaca-se pela presença de territórios indígenas, o que reforça a importância da integração entre conservação ambiental e proteção cultural.
Comunicação ICMBio
