COP15

MMA apresenta RedeTrilhas como estratégia de conectividade para espécies migratórias

27 de março de 2026

Durante a COP15, trilhas de longo curso ganham destaque como corredores ecológicos que integram unidades de conservação e engajam a sociedade

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Evento paralelo enfatizou o papel das trilhas de longo curso como ferramenta para conservação. – Foto: Ueslei Marcelino/MMA

O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) apresentou, nesta quarta-feira (25/3), a Rede Nacional de Trilhas de Longo Curso e Conectividade (RedeTrilhas) como uma ferramenta estratégica para a conservação da biodiversidade. Em evento paralelo na 15ª Conferência das Partes (COP15) da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (CMS, na sigla em inglês), especialistas destacaram que, para além do lazer, esses caminhos funcionam como corredores ecológicos essenciais para o deslocamento de espécies migratórias entre paisagens fragmentadas.

Instituída em 2018, a RedeTrilhas é fruto da governança entre o MMA, o Ministério do Turismo e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). O objetivo é conectar pontos do patrimônio natural e cultural brasileiro, criando eixos de proteção que atravessam diferentes territórios, privados ou públicos, como os que compõem o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (SNUC).

“As trilhas têm o papel de integrar pessoas e ecossistemas, efetivando a política do SNUC e garantindo que as áreas protegidas não sejam ilhas isoladas”, afirmou o coordenador-geral de Gestão do SNUC no MMA, Bernardo Issa de Souza.

“Muitas espécies utilizam essas faixas de vegetação para se movimentar entre unidades de conservação. É uma ferramenta de conservação reconhecida internacionalmente, inclusive pela União Internacional para Conservação da Natureza (UICN)”, explicou o diretor do Departamento de Áreas Protegidas (DAP) do MMA, Pedro da Cunha e Menezes. Além de reforçar a potência das trilhas como corredores ecológicos, Menezes destacou que o modelo brasileiro se diferencia pela forte participação social. “É um processo de construção de baixo para cima, que nasce nas comunidades e usuários, tornando a política sólida e resiliente”, disse.

O evento paralelo sobre a RedeTrilhas também abordou desafios, como o controle de espécies invasoras e o manejo do impacto da visitação. Segundo o analista ambiental do MMA, Samuel Schwaida, a solução passa pela educação ambiental dos usuários. “O uso sustentável dessas trilhas é o que garante que elas permaneçam como corredores seguros para a fauna silvestre”, concluiu.

Assessoria Especial de Comunicação Social do MMA