Na COP15 das Espécies Migratórias, Governo do Brasil avança na proteção do Pantanal com ampliação de Unidades de Conservação
24 de março de 2026Presidente Lula anunciou aumento da área do Parque Nacional do Pantanal Matogrossense e da Estação Ecológica do Taiamã (MT), além da criação da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Córregos dos Vales do Norte de Minas, no Cerrado mineiro
Parque Nacional do Pantanal Matogrossense. – Foto: Arquivo/José Medeiros/ICMBio
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou, neste domingo (22/3), a ampliação do Parque Nacional do Pantanal Matogrossense e da Estação Ecológica do Taiamã, no Mato Grosso, e a criação da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Córregos dos Vales do Norte de Minas, em Minas Gerais. Ao todo, mais de 148 mil hectares passam a ser protegidos.
O ato ocorreu durante o Segmento de Alto Nível da 15ª Reunião da Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (COP15 da CMS) em Campo Grande (MS).
Por meio da criação e ampliação das Unidades de Conservação (UCs) federais no Pantanal (MT) e Cerrado (MG), o Governo do Brasil, em ação liderada pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), fortalece a proteção da biodiversidade e dos recursos hídricos, promove a conectividade ecológica e valoriza os modos de vida das comunidades tradicionais.
A medida representa avanço concreto para a conservação do Pantanal, um dos biomas brasileiros menos protegidos, situado em importante rota para as espécies migratórias – por isso, inclusive, foi escolhido para sediar a COP15. Seu ciclo natural de secas e cheias forma uma vasta rede de rios, lagoas, campos inundáveis e áreas de vegetação que se transformam ao longo do ano. Essa dinâmica cria uma grande diversidade de habitats, oferecendo alimento, abrigo, locais de reprodução e áreas de descanso para muitas espécies residentes e migratórias.
Além de proteger o Cerrado, considerado o berço das águas do Brasil e ameaçado pelo desmatamento e incêndios, a criação da nova UC em Minas Gerais reconhece a luta histórica das comunidades geraizeiras, assegurando seus modos de vida, o uso sustentável do território e a proteção dos recursos naturais que garantem sua permanência e dignidade.
“A ampliação das UCs no Pantanal é fruto da mobilização de uma ampla rede de parceiros comprometidos com a proteção do bioma, formada por governos, instituições de pesquisa, organizações da sociedade civil, comunidades tradicionais e diversos atores que atuam de forma articulada no território. Trata-se de uma medida construída com base em evidências técnicas, escuta qualificada e cooperação institucional consistente, que reforça a proteção de áreas essenciais para o pulso de inundação do Pantanal – fenômeno que sustenta sua biodiversidade, regula os ciclos ecológicos e garante a resiliência desse sistema único frente à mudança do clima”, destaca a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva. “Igualmente importante é a criação da nova UC no Cerrado, que alia justiça social e conservação e foi construída com a participação direta das comunidades geraizeiras.”
“Os anúncios feitos hoje pelo presidente Lula representam imenso avanço na implementação dos compromissos internacionais assumidos pelo Brasil no âmbito da Convenção sobre Espécies Migratórias e de outros acordos multilaterais ambientais, reforçando nosso papel do liderança global na proteção de habitats críticos”, afirma o presidente designado da COP15 e secretário-executivo do MMA, João Paulo Capobianco. “Ao ampliar áreas protegidas em biomas emblemáticos para o planeta e absolutamente cruciais para a vida dos brasileiros, garantindo sua segurança hídrica e alimentar e a regulação climática, o país não apenas responde a desafios urgentes, como o enfrentamento aos incêndios, à mudança do clima e à perda de biodiversidade, como reafirma, com ações concretas, a centralidade da agenda ambiental na reconstrução de um Brasil que protege, valoriza e projeta seu patrimônio natural para o mundo.”
Além de Marina Silva e João Paulo Capobianco, acompanharam o presidente Lula no ato de anúncio o presidente do Paraguai, Santiago Peña, a ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, o secretário-executivo do Ministério dos Povos Indígenas, Eloy Terena, e o presidente do ICMBio, Mauro Pires.
Unidades de Conservação ampliadas
As duas Unidades de Conservação ampliadas no Pantanal do Mato Grosso somam 104,2 mil hectares adicionais sob proteção. A Estação Ecológica Taiamã passa de 11,5 mil hectares para 68,5 mil hectares, com a incorporação de cerca de 57 mil hectares. Já o Parque Nacional do Pantanal Matogrossense teve sua área aumentada em 47,2 mil hectares, passando de 135,9 mil para 183,1 mil hectares.
A ampliação eleva de 4,7% para 5,4% o percentual de áreas protegidas do Pantanal, em linha com recomendações internacionais voltadas à prevenção, mitigação e recuperação de ecossistemas.
As UCs são de Proteção Integral e desempenham papel fundamental na preservação de áreas alagadas de alta relevância ecológica, incluindo berçários naturais que sustentam a pesca ao longo do rio Paraguai e habitats de espécies ameaçadas, como a onça-pintada, o tatu-canastra, a ariranha e o cervo-do-pantanal. A iniciativa também fortalece a resiliência do bioma frente à mudança do clima e contribui para a manutenção dos serviços ecossistêmicos que beneficiam comunidades locais e atividades econômicas sustentáveis.
Além dos ganhos ambientais, a ampliação das áreas protegidas no Pantanal impulsiona a economia regional, com benefícios para a pesca profissional, o turismo de natureza e o aumento da arrecadação municipal por meio do ICMS ecológico, especialmente em municípios como Poconé e Cáceres.
A medida também reforça ações de prevenção e controle de incêndios, com ampliação de brigadas e fortalecimento da Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo, que coordena esforços entre os governos federal, estaduais, municipais, sociedade e proprietários privados.
O Parque Nacional e a Estação Ecológica integram uma área úmida de importância global reconhecida pela Convenção de Ramsar e exercem papel central na manutenção de processos ecológicos e de rotas migratórias em escala continental.
O Pantanal também é parte do sítio “Área de Conservação do Pantanal”, reconhecido como Patrimônio Mundial Natural pela UNESCO desde 2000, em um modelo que combina áreas públicas e privadas. Além do Parque Nacional, o mosaico inclui também Reservas Particulares do Patrimônio Natural cuja gestão colaborativa se consolidou como referência na proteção de ecossistemas complexos.
Uma nova área protegida
A Reserva de Desenvolvimento Sustentável Córregos dos Vales do Norte de Minas Gerais terá 40,8 mil hectares, abrangendo os municípios de Riacho dos Machados, Rio Pardo de Minas e Serranópolis de Minas.
A nova UC tem como foco a proteção do Cerrado e das comunidades tradicionais que vivem nas áreas de chapadas e vazantes drenadas pelos córregos Tamanduá, Poções e Vacaria. Entre seus objetivos estão a conservação de nascentes que abastecem a região, a proteção de áreas de extrativismo e a garantia do acesso ao território pelas populações geraizeiras, promovendo seu desenvolvimento socioambiental.
A área protegida também reconhece e fortalece a presença de comunidades tradicionais, como os geraizeiros, cuja história remonta ao século XIX. Sua criação contribui para reduzir vulnerabilidades sociais e assegurar direitos territoriais, aliando conservação ambiental e inclusão social.
Do ponto de vista ecológico, a nova UC integra um importante mosaico de conservação no Cerrado, conectando-se ao Parque Estadual Serra Nova e próxima ao Parque Estadual Grão Mogol e ampliando a proteção de ecossistemas estratégicos.
Avanço na proteção ambiental
Na avaliação do presidente do ICMBio, Mauro Pires, as ações demonstram o empenho do Governo do Brasil em relação à agenda ambiental. “No Pantanal, a ampliação do Parque Nacional do Pantanal Matogrossense e da Estação Ecológica de Taiamã mostra o compromisso do governo Lula com um bioma ameaçado pelo desmatamento, pela seca e pelos incêndios. No Cerrado, a criação da nova Reserva de Desenvolvimento Sustentável no Norte de Minas reconhece a importância histórica das comunidades geraizeiras, que há gerações cuidam da natureza. A nova reserva protege seus territórios e fortalece um modo de vida que sabe viver em equilíbrio numa região de encontro entre o Cerrado e a Caatinga”, afirma.
Com as medidas, o ICMBio reafirma seu compromisso com a proteção dos biomas brasileiros, a valorização das comunidades tradicionais e a promoção de um modelo de desenvolvimento baseado na sustentabilidade, na inclusão social e na conservação dos recursos naturais.
“Sabemos que cada nova área protegida também amplia a responsabilidade do ICMBio. Por isso, agradecemos o apoio decisivo da ministra Marina Silva e do presidente Lula para ampliar nossas condições de trabalho, com mais servidores e mais orçamento. Fortalecer o ICMBio é cuidar de uma das maiores riquezas do Brasil e do que queremos deixar para as próximas gerações: uma natureza viva, protegida e capaz de sustentar a vida”, resume Pires.
Assessoria Especial de Comunicação Social do MMA

