Nova espécie de percevejo semiaquático é registrada em reserva biológica do Paraná
4 de março de 2026Além do novo habitante, Hydrometra perobas, a Rebio das Perobas registrou outras duas espécies: Microlinus perobanus (inseto) e Cambeva perobana (peixe), reforçando a elevada relevância ambiental da unidade de conservação federal
A nova espécie de inseto hemíptero mede cerca de 2,5 cm e vive perto da água, às margens de riachos e lagoas – Foto: Divulgação
A descoberta de uma nova espécie de inseto colocou a Reserva Biológica (Rebio) das Perobas em destaque em 2025. Trata-se da Hydrometra perobas, um percevejo semiaquático identificado por pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). O nome científico da espécie faz referência direta ao local onde foi encontrada, reforçando a importância da unidade de conservação para a pesquisa e a preservação da biodiversidade.
O artigo completo da descoberta da nova espécie Hydrometra perobas pode ser acessado aqui.
A Rebio fica no município de Tuneiras do Oeste (PR), área que abriga o maior remanescente de Mata Atlântica do norte e noroeste paranaense. Em 2025, foram realizadas seis expedições no local, envolvendo estudos sobre aves, mamíferos e insetos.
O chefe da Rebio das Perobas destaca a importância da floresta estacional semidecidual, um tipo de vegetação raro da Mata Atlântica e do Cerrado, que representa hoje menos de 10% da vegetação da região noroeste do Paraná. “Ficamos muito felizes com essa descoberta porque é a terceira espécie nova registrada aqui na reserva. O bioma Mata Atlântica é um dos mais ameaçados do mundo, e isso mostra como as áreas protegidas ajudam a preservar espécies que estão sendo reconhecidas agora com essas pesquisas e expedições”, afirma Antônio Guilherme Cândido da Silva.
O estudo foi conduzido por uma equipe de pesquisadores do Laboratório de Entomologia da Fiocruz, chefiada pelo Dr. Felipe Moreira. Já a expedição foi coordenada pela Dra. Carla Fernanda Floriano, com apoio logístico do ICMBio. A entomologia é um ramo da zoologia dedicado ao estudo científico dos insetos, e a descoberta foi publicada na revista científica internacional Animals.
Região Sul lidera o registro de novos percevejos
No Paraná, com o cultivo de monoculturas, o aumento da ocupação humana e a retirada da mata nativa, muitas espécies foram afetadas e extintas, principalmente as mais sensíveis, como os percevejos. É nas regiões protegidas, como as unidades de conservação, que novas espécies podem ser encontradas, e esse número vem aumentando ao longo dos anos.
“Além do Hydrometra perobas, outras espécies de percevejos semiaquáticos vêm sendo registradas na região Sul do Brasil, sendo a Rebio das Perobas uma área de relevância nesses registros”, explica a pesquisadora Carla Floriano.
Ela estuda e registra espécies de insetos há mais de 20 anos e conta que o sul brasileiro é a região com maior ocorrência de novos registros. “Houve um aumento do número de espécies de percevejos semiaquáticos conhecidas na região, de 60 para 75”, comemora.
| Lagoa na área de amortecimento da Rebio das Perobas onde o Hydrometra foi encontrado – Foto: Divulgação | Equipe de pesquisadores que foi a campo. Da esquerda para a direita Luísa Alasmar, Kalana da Silva e Alexandre Domahovski (da Universidade Federal do Paraná), e Carla Floriano, coordenadora da expedição – Foto: Divulgação |
Os insetos aquáticos têm habilidade para viver na superfície da água e são cruciais nos ecossistemas de água doce, servindo como alimento e recicladores de nutrientes. Por essa capacidade de não apenas andar, mas também pular, correr e patinar sobre a água sem afundar, foram apelidados de “insetos Jesus”, do inglês Jesus bugs.
Rebio das Perobas reforça sua biodiversidade
Além do Hydrometra perobas, outras duas espécies foram descobertas no local: o inseto Microlinus perobanus, em 2016, e o peixe Cambeva perobana, em 2024. As descobertas são fruto de pesquisas científicas realizadas em parceria com instituições de pesquisa e ensino que procuram a reserva.
A Rebio destaca também o registro, feito por um brigadista da unidade, de um ninho de águia-de-penacho com filhote — ave rara no estado —, indicando a continuidade dessa população, principalmente em áreas protegidas.
Comunicação ICMBio

