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Papagaios ameaçados de extinção resgatados ainda filhotes no RJ são preparados para retorno à natureza

30 de março de 2026

Aves seriam vítimas do tráfico internacional, mas foram recuperadas pelo Ibama ainda nos ovos no Aeroporto do Galeão

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Jovens papagaios resgatados ainda nos ovos pelo Ibama recebem cuidados especializados para futura reintrodução à natureza – Foto: Daiane Cortes/Ascom/Ibama

Rio de Janeiro/RJ (30/03/2026) – O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) iniciou a reabilitação de papagaios ameaçados de extinção, resgatados ainda nos ovos após uma tentativa de tráfico internacional de fauna silvestre registrada no Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro, em 26 de outubro do ano passado.

O caso ocorreu quando uma passageira estrangeira, portadora de passaporte da Suíça, foi flagrada por agentes do aeroporto durante fiscalização antes do embarque com 24 ovos de aves escondidos sob as roupas, presos ao corpo com meias de nylon. Questionada, a mulher afirmou que se tratavam de ovos de galinha.

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Ovos resgatados em bagagem de passageira da Suíça – Foto: Fiscalização/Ibama/RJ

Os ovos, que já estavam em estágio avançado de desenvolvimento, foram recolhidos e entregues ao Ibama. Em uma força-tarefa, o Instituto e parceiros especializados realizaram atendimento técnico para garantir o nascimento dos filhotes. Dos 24 ovos, 12 eclodiram, mas apenas nove sobreviveram.

Com o crescimento das aves, foi possível identificar que os animais pertencem a espécies ameaçadas de extinção, entre elas o papagaio-charão (Amazona pretrei) e o papagaio-de-cara-roxa (Amazona brasiliensis), ambas protegidas por normas nacionais e internacionais de conservação. O papagaio-charão é classificado como vulnerável na Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas, e ambas as espécies estão incluídas no Apêndice I da Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Fauna e Flora Selvagens Ameaçadas de Extinção (Cites), que reúne espécies com maior risco de desaparecimento.

Os filhotes, agora jovens, estão saudáveis e seguem sob cuidados especializados. Os animais foram encaminhados ao Zoológico de São Paulo, instituição que desenvolve programas de conservação, manejo e reprodução de espécies ameaçadas, além de participar de projetos voltados à reabilitação e à reintrodução de animais na natureza.

No local, as aves passarão por avaliação genética e por etapas complementares de reabilitação, necessárias para verificar a viabilidade de reintegração ao ambiente natural. Após esse processo, a previsão é que os animais sejam destinados a áreas compatíveis com seu habitat, dentro de programas de conservação da espécie.

Por se tratarem de espécies com distribuição geográfica restrita, o tráfico tende a ser direcionado. Esses animais são frequentemente encomendados por redes especializadas, que conhecem seu alto valor no mercado ilegal e atuam de forma seletiva na captura e no transporte. Trata-se de uma atuação organizada, que busca especificamente espécies mais raras e, portanto, mais valiosas.

O caso evidencia a sofisticação das práticas de tráfico de animais silvestres e reforça a importância da atuação integrada das instituições de fiscalização para coibir esse tipo de crime, que ameaça diretamente a biodiversidade brasileira. Segundo a Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (Renctas), o comércio ilegal de fauna movimenta cerca de US$ 2 bilhões por ano, e milhões de animais são retirados da natureza anualmente, sendo a maioria aves.

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Parte dos filhotes sobreviveram – Foto: Fiscalização/Ibama/RJ

Como autoridade administrativa da Cites no Brasil, o Ibama é responsável por controlar o comércio internacional de fauna e flora silvestres, emitir licenças de importação e exportação e verificar a origem legal dos espécimes, atuando para impedir irregularidades e garantir a proteção das espécies ameaçadas.Assessoria de Comunicação Social do Ibama
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