COP15

Protagonismo feminino na conservação da biodiversidade ganha voz na COP15

30 de março de 2026

Conexão sem Fronteiras usa o cinema para mostrar o papel feminino na resistência e proteção da natureza

MMA CORTE_FEMININO.png

Ministra Marina Silva e governador Eduardo Riedel (MS) prestigiam mostra cinematográfica. – Foto: Rogério Cassimiro/MMA

A proteção das espécies migratórias vai além das plenárias e dos espaços diplomáticos de negociação. Depende, inquestionavelmente, do olhar e do cuidado feminino nos territórios mundo afora. Esse nexo entre gênero, natureza e cultura embala a mostra cinematográfica no espaço Conexão sem Fronteiras, que acontece na Casa do Homem Pantaneiro até o dia 29 de março, como parte da programação cultural da 15ª Conferência das Partes (COP15) da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (CMS, na sigla em inglês).

“As mulheres manejam territórios fundamentais para a vida. É necessário incentivar e dar visibilidade a esses esforços e trazer as mulheres, especialmente as jovens, para o centro dos espaços de decisão e governança”, destaca a secretária nacional de Biodiversidade, Florestas e Direitos Animais do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), Rita Mesquita.

Um dos destaques da mostra é o documentário “Mulheres da Fronteira”, dirigido por Paulo Machado. O filme entrelaça o protagonismo de sete mulheres pantaneiras, indígenas, cozinheiras e empreendedoras, cujas trajetórias revelam que a gastronomia é, em si, um movimento migratório de saberes que atravessam fronteiras pelo Brasil, Paraguai, Bolívia e Argentina.

A obra demonstra que o cuidado com a natureza está nos detalhes do cotidiano. Jadi Tamasiro, uma das protagonistas e proprietária de um restaurante de sobá em Campo Grande (MS), reforça que a gestão de resíduos e o respeito aos ciclos naturais em sua cozinha são atos de conservação. “Separamos lixo, deixamos latas longe dos restos de alimentos. Porque eu preciso pensar no futuro dos meus netos”, reflete.

“O filme se relaciona com os movimentos migratórios das espécies. Porque a cozinha é migratória. Em especial, a cozinha do Pantanal, que transpassa o bioma e rege vários lados do Paraguai, da Bolívia, do norte da Argentina, do Uruguai, de vários estados do Brasil”, destaca Paulo Machado, que também é chef de cozinha.

Além da cultura pantaneira, Conexão sem Fronteiras exibe o filme “Maré Viva, Maré Morta”, de Cláudia Daibert, que acompanha o desafio de duas mulheres na gestão de unidades de conservação (UCs) marinhas. A produção cinematográfica reforça a mensagem de que lideranças femininas ocupam hoje postos técnicos cruciais na linha de frente da conservação da biodiversidade.

Gênero como pilar do Plano Clima

O protagonismo feminino visto nas telas do Conexão sem Fronteiras reflete a nova diretriz da política ambiental brasileira. Lançado em março, o Plano Nacional sobre Mudança do Clima (Plano Clima), que guiará as ações climáticas do país até 2035, incorpora a inédita Estratégia Mulheres e Clima. Pela primeira vez, a perspectiva de gênero é incorporada como um eixo estruturante para enfrentar a crise climática e conservar a biodiversidade.

A iniciativa, coordenada entre MMA e Ministério das Mulheres, reconhece que as mulheres são as mais afetadas pelos eventos climáticos extremos, mas também as principais guardiãs da natureza. Conforme detalhado na cartilha Mulheres nas Ações Climáticas, a conservação da biodiversidade e a proteção das espécies migratórias dependem do fortalecimento das mulheres na governança dos territórios.

Para o Governo do Brasil, garantir que mulheres ocupem espaços de decisão – seja na gestão de UCs ou na liderança de comunidades tradicionais – é vital para assegurar a resiliência dos ecossistemas e a manutenção dos fluxos da vida silvestre.

programação segue neste sábado (28) com foco no público infantojuvenil. A COP15 da CMS acontece em Campo Grande (MS) até o dia 29 de março.

Assessoria Especial de Comunicação Social do MMA