COMPLEXOS FOTOVOLTAICOS
1 de abril de 2026Parque Solar São Gonçalo: Piauí tem um dos maiores parques de energia solar da América do Sul
O Parque Solar São Gonçalo, localizado nos cerrados do Piauí, município de São Gonçalo do Gurgueia, (800km de Teresina), operado pela Enel Green Power, se caracteriza como um dos maiores complexos fotovoltaicos da América do Sul. Com mais de 2,2 milhões de painéis bifaciais, o parque gera energia limpa e renovável, com capacidade instalada superior a 800 MW em diversas fases de expansão. No entanto, o projeto tem muitos impactos socioambientais e seus aspectos negativos são desconsiderados ou desconhecidos.

Segundo informações da ENE-Brasil, o Parque Solar São Gonçalo III faz parte do Complexo São Gonçalo, o maior parque solar em operação na América do Sul, e significa mais geração de energia limpa e uma enorme contribuição para o avanço da transição energética no Brasil e para o desenvolvimento local.
Localizado numa área considerada pela ONU como o maior Núcleo de Desertificação da América Latina, o empreendimento, sequer, vem cumprindo um Termo de Ajuste de Conduta assinado com o Ministério Público. Responsável por promover grandes desmatamentos – somente em painéis instalados ocupa mais de mil hectares de área sem nenhuma vegetação -, a retirada da mata nativa acaba gerando desequilíbrios ambientais como deslizamentos das encostas da serra, soterramento de nascentes e rios ocasionando falta d’água para as comunidades vizinhas e erosão descontrolada. Será este o preço do desenvolvimento a qualquer custo?

A usina solar de R$ 1,4 bi construída em São Gonçalo do Gurguéia (PI) possui cerca de 2,2 milhões de painéis fotovoltaicos e está instalada em uma área equivalente a 1.500 estádios de futebol. De acordo com a empresa, subsidiária do grupo Enel, o complexo solar tem uma capacidade total de 700 MW e é composto por 24 sub-parques solares.
‘NOSSA ÁGUA ACABOU’…
É o maior parque solar da América do Sul atualmente em construção. A construção da primeira seção de 475MW de São Gonçalo começou em outubro de 2018 e foi conectada à rede em janeiro de 2020. Em agosto de 2019, Enel anunciou o início da construção da extensão de 133 MW do parque solar, que também está em andamento.
Mas há um senão: moradores denunciam impactos de parque solar no Piauí: ‘Nossa água acabou’…
Dizem os trabalhadores que a situação é sentida com mais intensidade na época de chuva. A explicação é fundamentada na observação de um trabalhador: “Quando chove, aumenta o assoreamento dos rios, dos brejos. Uma das melhores nascentes que tinha já foi embora. Não podemos mais beber a água que tinha lá. Não sei o que vou fazer. Vou largar minha propriedade porque não tem como trabalhar mais. Fui criado nessa função de trabalhar na roça e aprendi a construção civil, mas devido à idade, esse segundo ofício já não é tão garantido”.
Para Reginaldo Lira Barros, que tinha uma plantação de cerca de 200 buritis em São Gonçalo do Gurgueia (PI), coração do semiárido, o trabalho de tirar o fruto matéria-prima para doces, sorvetes e sucos acabou. Foi interrompido pouco depois que um projeto de parque solar chegou ao município e levou à morte as centenas de árvores de sua propriedade. O MP-PI (Ministério Público do Estado do Piau) investiga o caso.
IMPACTOS SOCIOAMBIENTAIS
O engenheiro mecânico Gustavo José Simões, que é vice-diretor cultural da Associação dos Engenheiros da Petrobrás, e o pesquisador e gestor ambiental Felipe Júnio Sabino escreveram um trabalho apresentando os impactos socioambientais associáveis às atividades da Empresa Enel Green Power, no contexto da implementação do complexo solar de São Gonçalo.
Segundo Gustavo José Simões e Felipe Sabino, a implementação de projetos centralizados de energias renováveis, associados a benefícios climáticos globais, pode acarretar impactos significativos no meio ambiente e nas comunidades locais. A crescente demanda por fontes de energia limpa, como a solar e a eólica, tem levado à rápida expansão de projetos em todo o mundo, muitas vezes sem uma avaliação adequada de seus impactos socioambientais.
Explica Gustavo Simoes e Felipe Sabino que os novos projetos de geração de energia renovável centralizada, as chamadas fontes limpas, são excessivamente “romantizados” e seus aspectos negativos são desconsiderados ou desconhecidos. É fundamental o conhecimento dos diversos impactos que causam ao meio ambiente e às comunidades onde se instalam.
Para os dois técnicos, um dos principais problemas é a falta de consideração adequada dos impactos das energias renováveis nas comunidades locais e nos ecossistemas circundantes. Como evidenciado pelo caso da Usina Solar São Gonçalo, no Piauí, projetos de grande escala podem resultar em danos significativos ao solo, à vegetação e aos recursos hídricos, além de afetar negativamente as comunidades rurais que dependem desses recursos para sua subsistência.

Enel inicia operação de segunda expansão do complexo em São Gonçalo do Gurgueia. Quando estiver em plena operação, a planta será capaz de gerar mais de 1.200 GWh por ano, e – segundo o diretor da – evitará a emissão de mais de 600 mil toneladas de CO² na atmosfera.

