HÁ 37 ANOS
1 de abril de 20261989 – 2026
ENTREVISTA – LUIZ SIMÕES LOPES
LUIZ SIMÕES LOPES – “…Todos os povos precisam dedicar atenção às suas reservas florestais. As florestas, nas suas múltiplas utilidades, têm posto de alto relevo na vida das nações, sob o ponto de vista econômico, sanitário e social”. “As matas estão cada dia fugindo mais das aglomerações humanas e muitos de vós terão recordação de matas das quais não existem nem vestígios hoje em dia… No Brasil, grande parte dos brasileiros não conhece sequer a árvore que deu nome à Pátria – o Pau Brasil.”
Mais atual, difícil. Mais oportuno, nunca! Quando vemos, hoje, a ONU e outras entidades propondo estratégias para se obter um desenvolvimento sustentável, recomendando maneiras e ajudando a definir noções comuns relativas a questões ambientais, não podemos imaginar que, neste mesmo Brasil, tão alvo de agressões do exterior, há 96 anos, precisamente em março de 1930, um brasileiro reformista, inconformado, empreendedor e sonhador já estava lutando pela nossa natureza.
É fantástico ver que, esse brasileiro, com 86 anos, despachando oito horas por dia em seu gabinete, ainda propõe soluções para o hoje e para o amanhã, com a mesma serenidade, lucidez e competência com que, em julho de 1938, por exemplo, promoveu o divisor de águas da administração pública brasileira com a criação do DASP, ou quando assinou a Exposição de Motivos ao Presidente da República, para a criação da Fundação Getúlio Vargas.

Em junho 1989, o jornalista Silvestre Gorgulho faz uma entrevista exclusiva com o professor Luiz Simões Lopes para a primeira edição da Folha do Meio Ambiente.

Luíz Simões Lopes (Pelotas, 2 de junho/1903 – Rio de Janeiro, 21 de fevereiro/1994) gaúcho, iniciou seus estudos Escola Superior de Agricultura Luís de Queirós, em Piracicaba. Em 1923, se mudou para Belo Horizonte, se formando em 1924 em engenharia agrônoma na Escola Mineira de Agricultura e Veterinária. Foi um dos fundadores da FBCN – Fundação Brasileira para Conservação da Natureza, mentor e primeiro diretor geral do Serviço Florestal. Lançou revistas sobre cultura e educação, como a Revista Florestal, de onde foram tiradas as citações acima. Desde a década de 20, sinalizava, pela primeira vez no País, “que a Terra era frágil, dominada não pela ação e pela obra do homem, mas por um conjunto ordenado de nuvens, oceanos, vegetação e solos”. E a humanidade precisava agir conforme essa ordenação natural.
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