PATRIMÔNIO NATURAL

PIAUÍ GANHA MAIS UM LIVRO DE ARTE

1 de abril de 2026

Parque Nacional Serra das Confusões terá destaque em nova publicação fotográfica assinada por André Pessoa

Silvestre Gorgulho

A Serra das Confusões faz jus ao nome. Deu confusão no passado, quando vaqueiros e exploradores antigos tinham dificuldades em se localizarem e navegarem pela região de matas e formações rochosas. Eles se perdiam, com frequência, pela paisagem de labirintos e pelas cores mutáveis das pedras sob o sol. A confusão do passado se repetiu no presente quando ambientalistas e líderes preservacionistas lutaram para proteger as belezas e biodiversidade da região.  Considerada a maior unidade de conservação do Nordeste brasileiro, e a maior reserva natural do Bioma da Caatinga, o Parque Nacional Serra das Confusões, na região de Caracol, ganhará ainda em 2026, um livro de arte ilustrado por magníficas imagens assinadas pelo jornalista pernambucano André Pessoa.

O Parque Nacional da Serra das Confusões, localizado no sudoeste do estado do Piauí, é a maior unidade de conservação da Caatinga no Nordeste, situado a cerca de 620 km de Teresina. Abrange diversos municípios como Caracol (principal acesso), Bom Jesus, Canto do Buriti e Santa Luz.

Um tesouro natural. Em 2006, a USP realizou uma pesquisa no Parque Nacional Serra das Confusões, no limite com a Serra Vermelha. Os estudos realizados por 14 pesquisadores concluíram que a região abriga a fauna de um ecótono, incluindo até mesmo elementos das dunas do rio São Francisco e da fauna amazônica. Em termo de biodiversidade o estudo apontou tratar-se de “caráter único”. Foram registradas 221 espécies de aves, 58 de mamíferos, 43 de répteis, 16 de anfíbios, perfazendo um total de 338 espécies de vertebrados.

Com 33 anos no Piauí, André Pessoa é o autor dos livros “A Natureza do Piauí”, lançado em 2014; “Caatinga Selvagem”, publicado em 2015; “Olhais”, que retrata o Corredor Ecológico Capivara – Confusões, de 2021; “Piauí – Terra Querida”, de 2023; e o mais recente deles, “Serra da Capivara”, de 2026, ainda em fase de lançamentos nacionais com eventos já realizados em São Raimundo Nonato, São Paulo e Rio de Janeiro.
Segundo André Pessoa, “a ideia é lançar a obra ‘Serra das Confusões – Um parque nacional como protagonista do desenvolvimento do município de Caracol’, em setembro desse ano, durante os festejos em homenagem ao padroeiro do município”.
O jornalista e fotógrafo André Pessoa teve papel central na criação do Parque Nacional Serra das Confusões, em 1998, após levar, com a ajuda do deputado federal José Francisco Paes Landim, as imagens da área para Brasília e convencer as autoridades a criar, já naquela época, a maior unidade de conservação do Semiárido brasileiro com área de inacreditáveis 523 mil hectares.

A Serra das Confusões é um imenso patrimônio natural, com áreas desconhecidas até mesmo dos mateiros e guardas florestais mais experientes. A região esconde uma outra riqueza tão importante quanto enigmática para a ciência: nos abrigos rochosos do parque descobre-se, a cada expedição científica, sítios arqueológicos repletos de grafismos rupestres. (Fotos: André Pessoa)

SERRA VERMELHA

Na década de 2010, o parque foi ampliado em mais 300 mil hectares com trechos anexados da região da vizinha Serra Vermelha, que vinha sendo ameaçada pela indústria carvoeira. A campanha em defesa da Serra Vermelha foi outro embate ambiental, liderado no Piauí por André Pessoa, em parceria com a jornalista Tânia Martins, de Teresina.
No início da campanha, a ideia seria criar uma nova unidade de conservação que se chamaria Parque Nacional Serra Vermelha, no entanto, uma série de políticos ficaram totalmente contra a criação de mais um parque no Piauí e, através de um acordo entre o Governo do Piauí e o Governo Federal, uma grande área selvagem da Serra Vermelha terminou sendo anexada ao Parque Nacional Serra das Confusões, que passou a contar com 823 mil hectares. Hoje é um dos maiores parques do Brasil. A Folha do Meio Ambiente participou ativamente deste movimento com entrevistas e reportagens buscando defender e preservar as maravilhas visuais e a biodiversidade de toda região, expostas à ganância de caçadores, exploração da mata com a produção de carvão e plantadores de soja.
O novo livro conta um pouco dessa história com textos da repórter Tânia Martins, da historiadora Claudete Dias, além de vários outros convidados entre pesquisadores e ambientalistas brasileiros.

No passado, o governo do Piauí facilitava a destruição da área, concedendo licenças ambientais para projetos como o Energia Verde, da empresa JB Carbon, que pretendia transformar em carvão 114 mil hectares de floresta. De tão danoso o projeto, o Ministério do Meio Ambiente e a Justiça Federal paralisaram a produção em 2006.