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Ciência para a conservação: revista “Biodiversidade Brasileira” completa 15 anos

22 de maio de 2026

Com 46 edições publicadas, incluindo uma edição especial voltada ao público infantojuvenil, a publicação do ICMBio consolida-se como uma das principais publicações científicas dedicadas à conservação ambiental e à sociobiodiversidade

Equipe responsável pela Revista Biodiversidade Brasileira na atualidade – Foto: Divulgação

Neste mês, a revista Biodiversidade Brasileira celebra 15 anos de história, consolidando-se como uma das principais publicações científicas dedicadas à conservação ambiental e à sociobiodiversidade no país. Vinculada ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), a revista tornou-se referência na divulgação de pesquisas, experiências e reflexões voltadas aos temas que abrange. 

Para a coordenadora-geral de Pesquisa e Monitoramento da Biodiversidade (CGPEQ/DIBIO) e atual editora-chefe adjunta da revista, Cecília Cronemberger, a publicação é fundamental na valorização do ICMBio como órgão promotor de Ciência, Tecnologia e Inovação (ICT), pois demonstra e reforça a capacidade científica institucional. “A revista é uma plataforma que dá visibilidade, credibilidade e difusão ao conhecimento produzido, conectando o ICMBio à comunidade acadêmica global”, coloca. 

Desde 2011, a Biodiversidade Brasileira teve 46 edições publicadas fortalecendo sua atuação como importante veículo de divulgação científica nas áreas de conservação e manejo de unidades de conservação (UCs), gestão e uso sustentável de recursos naturais renováveis, biodiversidade e espécies ameaçadas, fiscalização e proteção do patrimônio natural, além da educação e formação. 

Ao longo dessa trajetória, a publicação que teve sua primeira edição em 13 de maio de 2011, passou por um processo de amadurecimento institucional marcado por importantes conquistas. Entre elas, destacam-se a ampliação da equipe com dedicação exclusiva à revista, a publicação de sua política editorial, o lançamento de chamada pública para composição do Comitê Editorial e a indexação no Directory of Open Access Journals (DOAJ), ampliando sua visibilidade internacional e o alcance da produção científica publicada. 

Outro avanço significativo foi a adoção do modelo de acesso aberto, no qual autores e leitores têm acesso gratuito ao conteúdo, sem cobrança de taxas de submissão ou publicação. A revista também implementou um checklist para rigorosa análise preliminar das submissões e desenvolveu o Curso de Avaliadores, oferecido pela Escola Virtual de Governo, fortalecendo a qualidade editorial e o processo de avaliação. E recentemente se adequou às melhores práticas de ética editorial recomendadas pelo Comitê de Ética em Publicações (COPE), organização internacional sem fins lucrativos.  

Sobre a criação da revista 

Um grupo de analistas ambientais sonhava com uma publicação técnico-científica que abarcasse as especificidades de conhecimentos de gestão voltada conservação da biodiversidade. Com a criação do ICMBio, em 2007, essa ideia pode ser concretizada, e a revista nasceu com a proposta de abordar diferentes dimensões da gestão ambiental e debater temas desafiadores, reunindo especialistas de diversas áreas e regiões do país. 

“Nesse início, conduzimos discussões bastante complexas sobre manejo do fogo e espécies exóticas, culminando, em 2018, em um amplo diálogo sobre a questão da caça. A revista possibilita dar voz a diferentes perspectivas, em vários biomas e por diferentes atores, abrangendo uma grande riqueza de informações”, explica Kátia Torres, bióloga, diretora do ICMBio e primeira editora da revista. 

A revista começou publicando trabalhos elaborados por servidores, e ao longo dos anos, ascendendo em credibilidade, foi sendo cada vez mais procurada pela comunidade científica em geral para publicar suas pesquisas. 

No início, as edições eram temáticas, com uma média de duas revistas publicadas por ano. Um tema era escolhido — como “caça” ou “primatas” — e aguardava-se que todos os artigos fossem submetidos pelos pesquisadores. 

Evolução e amadurecimento científico 

A partir de 2019, a revista passou por um processo de padronização editorial, adotando o modelo de fluxo contínuo. Nesse formato, pesquisadores do Instituto e de outras instituições podem submeter artigos a qualquer momento e, após aprovação, os trabalhos passam a integrar a edição vigente. 

Em 2025, a publicação incorporou novas inovações, como sua indexação ao DOAJ, diretório global e multidisciplinar de periódicos científicos de acesso aberto. Também foi criada a política editorial, que estabelece o funcionamento da revista e define a periodicidade de quatro edições anuais. As publicações temáticas passaram a ser editadas mediante solicitação do Instituto ou de instituições parceiras. 

“A Biodiversidade Brasileira ficou mais alinhada às revistas científicas nacionais e internacionais. Hoje, ela abrange uma gama de informações sobre conservação da biodiversidade que vai além do âmbito do ICMBio e das unidades de conservação. Na maior parte dos casos, os pesquisadores que submetem artigos à revista não pertencem ao órgão, explica Daniel Luis Kantek, analista ambiental do Instituto e atual editor da publicação. 

Antes de serem publicados, os artigos passam por avaliação da adequação à linha editorial e da qualidade científica. Somente depois ocorre a análise de conteúdo, procedimento adotado pelas principais revistas científicas do mundo. Há uma equipe exclusiva responsável pela edição, revisão, diagramação e publicação dos trabalhos. 

Para organizar todas as etapas do processo editorial, a equipe utiliza o sistema Open Journal Systems (OJS). O processo segue o modelo de avaliação cega: editores e revisores não têm acesso à identidade dos autores, e os autores não sabem quem são os avaliadores. Pelo sistema, os editores podem solicitar ajustes aos autores até a aprovação da versão final. 

A publicação depende do trabalho voluntário de revisores e editores para esta finalidade. Hoje, a revista conta com um time de 65 editores temáticos, que são servidores da autarquia e pesquisadores de outras instituições nacionais e internacionais, sem os quais não seria capaz de tocar o processo editorial. Esse time agrega diversidade de olhares, abordagens e conhecimento ao processo de revisão. 

O artigo mais lido é volume 14, número 4 – Foto: Divulgação O segundo mais lido também é do volume 14, número 1 – Foto: Divulgação Em 2024 foi lançada uma edição especial da revista voltada ao público infantojuvenil – Foto: Divulgação

Artigos mais lidos 

O artigo mais acessado da revista é “Risco e resiliência: uma revisão das características funcionais que influenciam a vulnerabilidade ao fogo em mamíferos do Pantanal”, publicado no volume 14, número 4, de 2024. O estudo analisa os impactos dos incêndios de 2020 sobre os mamíferos do Pantanal, investigando quais espécies são mais vulneráveis ao fogo e destacando a necessidade de ações de conservação e aprimoramento do manejo de incêndios no bioma. 

O segundo artigo mais lido também aborda a temática do fogo no volume 14: “Compreendendo a ação do fogo nos ecossistemas brasileiros”, publicado no número 1. O trabalho revisa a relação entre incêndios florestais e ecossistemas, mostrando que o fogo pode ser tanto prejudicial quanto essencial para alguns biomas brasileiros, além de destacar seu impacto climático e a necessidade de políticas de manejo sustentável. 

O terceiro artigo mais acessado é “Espécies exóticas invasoras em unidades de conservação federais do Brasil”, publicado no volume 3, número 2, de 2013. O estudo analisa a presença de espécies exóticas invasoras em unidades de conservação federais e destaca seus impactos sobre a biodiversidade, além da necessidade de monitoramento e controle dessas espécies. 

Além desses, vários outros estudos importantes estão disponíveis no site da Biodiversidade Brasil e podem ser lidos livremente. 

Iniciação científica 

Em 2022, a revista Biodiversidade Brasileira envolveu estudantes universitários de diversas instituições participantes do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC), iniciativa do CNPq, em uma edição especial. Os jovens tiveram a oportunidade de escrever e publicar seu primeiro artigo científico, sob orientação de um professor. 

“Foi bastante interessante realizar essa edição com eles. Os estudantes e orientadores transformaram os relatórios finais do PIBIC em artigos científicos. Foi um marco da revista que considero muito importante, afirma Fernanda Oliveto, analista do ICMBio, integrante da equipe editorial desde 2016. 

Edição especial para o público infantojuvenil 

Em 2024, foi lançada uma edição especial da revista voltada ao público infantojuvenil. Com o ativista Chico Mendes na capa, a edição contou com a colaboração de Elenira Mendes, filha do ambientalista. 

“A gente escolheu alguns artigos científicos publicados pela revista que poderiam interessar às crianças e os adaptamos para uma linguagem acessível. Então, essa edição não traz artigos científicos propriamente ditos, mas divulga os conteúdos científicos de forma mais didática”, explica Fernanda. 

A edição abordou temas como fungos do gênero Cordyceps — conhecidos do público pela série The Last of Us —, além de assuntos como “farmácia ao ar livre”, “formiga-zumbi” e “microplásticos encontrados em peixes”. Ao final de cada matéria, foi publicada uma foto do autor ainda criança acompanhada de uma breve entrevista. 

Próximos passos 

Atualmente, a Revista organiza sua linha editorial em cinco grandes eixos temáticos: conservação e manejo de unidades de conservação; gestão e uso sustentável de recursos naturais renováveis; biodiversidade e espécies ameaçadas; fiscalização e proteção da biodiversidade e do patrimônio natural; e educação e formação para a conservação da sociobiodiversidade. 

A diversidade de temas reforça o compromisso da publicação com a integração entre ciência, gestão pública e conhecimentos tradicionais. Neste mês, maio, também será lançada a nova política editorial da revista, reforçando suas diretrizes de funcionamento. 

A comemoração dos 15 anos representa também o reconhecimento do trabalho coletivo para consolidar a revista como espaço de diálogo científico e construção de conhecimento em prol da conservação ambiental no Brasil. Em um cenário de crescentes desafios climáticos e pressões sobre os ecossistemas, a Biodiversidade Brasileira reafirma seu compromisso com a ciência, a inovação, a diversidade e o acesso aberto ao conhecimento. 

Comunicação ICMBio