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Onça-pintada é capturada em área urbana e realocada no Pantanal

5 de maio de 2026

Animal foi solto na Serra do Amolar, em Mato Grosso do Sul; força-tarefa coordenada pelo Ibama envolveu representantes de diversas instituições

Animal foi levado de helicóptero para a Serra do Amolar, no Pantanal

Animal foi levado de helicóptero para a Serra do Amolar, no Pantanal – Foto: Rodolfo César/GT Onça Urbana Corumbá-Ladário

Corumbá/MS (04/05/2026) – O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) coordenou uma força-tarefa para a captura e a realocação de uma onça-pintada fêmea em Corumbá (MS). O animal, que vinha sendo monitorado nos últimos meses na área urbana do município, foi transferido com segurança para a Serra do Amolar, área considerada adequada para sua reintegração ao habitat. A soltura ocorreu nesse domingo (3).

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Onça-pintada dentro da gaiola utilizada na captura

A captura foi realizada no dia anterior, com o uso de duas gaiolas, uma para contenção e outra para o transporte, e seguiu rigorosos protocolos técnicos para garantir a integridade do animal. Após a ação, a onça passou por avaliação clínica, sendo considerada com bom estado de saúde. De acordo com o veterinário responsável, o felino tem aproximadamente 4 anos de idade e 72 quilos.

A ação foi executada pelo Grupo Técnico Onças Urbanas Corumbá-Ladário, composto por 26 representantes de instituições federais, estaduais, municipais, organizações da sociedade civil e pesquisadores. Participaram da operação o Ibama; o Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros (Cenap/ICMBio); a Polícia Militar Ambiental de Mato Grosso do Sul; a Prefeitura de Corumbá, por meio da Fundação de Meio Ambiente do Pantanal e da Defesa Civil; e organizações, como o Instituto Homem Pantaneiro (IHP) e a Reserva Particular do Patrimônio Natural Jaguarte. A operação contou ainda com o apoio do Exército Brasileiro, por meio do Comando Militar do Oeste, e do Instituto Reprocon.

2026-05-04_resgate_onca_MS_Ibama1.jpgOnça é retirada da gaiola de captura para ser submetida a examesForça-tarefa monitorou o felino

Desde o ano passado, a onça-pintada vinha sendo monitorado por meio de câmeras fotográficas e ações de campo depois que avistamentos passaram a ser relatados por moradores de Corumbá. As atividades de monitoramento também incluíram rondas noturnas e a implementação de medidas preventivas, como o uso de repelentes luminosos para tentar evitar a aproximação da fauna silvestre em áreas urbanas. A população local foi orientada por meio de ações de educação ambiental e pôde contribuir com informações que levaram à captura segura do animal.

A onça-pintada foi transportada por meio de helicóptero para a Serra do Amolar. Antes da soltura, o felino recebeu um colar de monitoramento remoto. O equipamento permitirá acompanhar, em tempo real, os deslocamentos do animal, identificando áreas de uso, rotas de movimentação e padrões de comportamento. O monitoramento deve ocorrer por pelo menos um ano e poderá captar informações mesmo em áreas de fronteira com a Bolívia, além de gerar dados relevantes para a ciência e para a conservação da biodiversidade e de subsidiar estratégias para a redução de conflitos entre seres humanos e grandes carnívoros.

O Grupo Técnico Onças Urbanas Corumbá-Ladário, formado em 2025, continuará atuando em prol da fauna felina pantaneira e da segurança da população da região.

2026-05-04_resgate_onca_MS_Ibama.jpgFelino é transportado pela equipe envolvida na captura e na realocaçãoPresença de onças em áreas urbanas

A ocorrência de onças-pintadas em áreas próximas a centros urbanos no Pantanal não é um fenômeno isolado e está relacionada à dinâmica natural da espécie, que possui ampla área de vida e grande capacidade de deslocamento. Fatores como mudanças ambientais, fragmentação de habitat e expansão urbana contribuem para o aumento desses registros.

O Ibama reforça a importância da convivência responsável com a fauna silvestre e da adoção de medidas preventivas por parte da população, destacando que ações integradas como esta são fundamentais para garantir a conservação da espécie e a segurança das comunidades locais.

Assessoria de Comunicação Social do Ibama