RECAATINGAR

Governo do Brasil lança programa para recuperar 10 milhões de hectares degradados na Caatinga

14 de junho de 2026

Iniciativa do MMA inspirada em práticas territoriais alia recuperação ambiental, segurança hídrica e alimentar e inclusão socioprodutiva de povos tradicionais e agricultores familiares para fortalecer a resiliência climática no Semiárido brasileiro

Ato foi assinado durante a Semana Nacional do Meio Ambiente, realizada em Brasília (DF) – Foto: Divulgação/ASA Brasil

O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) instituiu o Programa Recaatingar, estratégia nacional voltada à recuperação socioprodutiva de áreas degradadas no bioma Caatinga. A iniciativa tem como meta recuperar 10 milhões de hectares até 2045, promovendo simultaneamente a conservação da biodiversidade, a adaptação à mudança do clima, a segurança hídrica e alimentar e a geração de renda para populações do Semiárido brasileiro. 

portaria foi assinada durante a Semana Nacional do Meio Ambiente, realizada na Biblioteca Nacional em Brasília (DF), entre os dias 8 e 11 de junho. O evento é alusivo ao Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado em 5 de junho, e integra o mês dedicado à conscientização ambiental no país, o Junho Verde. 

A secretária nacional de Povos e Comunidades Tradicionais e Desenvolvimento Rural Sustentável do MMA, Edel Moraes, destacou que o programa reconhece e fortalece experiências já desenvolvidas nos territórios. “O Recaatingar é um plano de ação resultado do PAB-Brasil, resultado do reconhecimento de práticas ancestrais já desenvolvidas por povos e comunidades tradicionais”, ressaltou.  

“O programa nasce a partir de tecnologias sociais já experienciadas e vivenciadas pelos povos da Caatinga, que têm feito ao longo dessas décadas o processo de adaptação e produção”, concluiu a secretária. 

Nesta quarta-feira (10/6), durante cerimônia promovida pelo Governo do Brasil em alusão ao Dia Mundial do Meio Ambiente, foi lançado o edital Recaatingar, uma chamada pública de R$ 60 milhões destinada à recuperação socioprodutiva de áreas degradas na Caatinga. A iniciativa contará com recursos do Fundo Amazônia, sendo R$ 30 milhões aportados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e R$ 30 milhões pelo Banco do Nordeste (BNB). O edital está disponível para consulta aqui. 

O Recaatingar é um dos instrumentos para implementação da Política Nacional de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca e integra o Plano de Ação Brasileiro de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca (PAB-Brasil). A proposta combina conhecimento científico e saberes tradicionais para promover a recuperação de áreas degradadas e fortalecer a resiliência das comunidades mais vulneráveis aos efeitos da mudança do clima e por isso também está alinhado com as diretrizes da Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação (UNCCD).   

As ações priorizarão áreas da agricultura familiar, assentamentos da reforma agrária, territórios indígenas e povos e comunidades tradicionais. 

Recaatingamento e tecnologias sociais 

O programa tem como base o conceito de “recaatingamento”, tecnologia social voltada à recuperação ambiental e à convivência sustentável com o Semiárido. A abordagem inclui práticas de manejo sustentável do solo, como adubação verde, compostagem e plantio direto, além da implantação de sistemas agroflorestais que conciliam produção de alimentos e conservação da vegetação nativa. 

Para o diretor do Departamento de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos das Secas do MMA, Alexandre Pires, a iniciativa enfrenta as causas estruturais da degradação ambiental na região. “O Semiárido brasileiro vive o contexto de suscetibilidade à desertificação, mas também é nesse território onde podemos encontrar os caminhos para o enfrentamento às mudanças climáticas. As respostas para as secas são ampliar os investimentos na adaptação e na recuperação de terras degradadas da Caatinga e do Cerrado, para repor agrobiodiversidade, fertilidade dos solos, fontes de água, produção de alimentos saudáveis e inclusão social”, afirmou. 

Segurança hídrica e inclusão socioprodutiva 

A segurança hídrica também é um dos pilares do programa. As ações terão como áreas de planejamento e ação as microbacias hidrográficas e incluirão a implantação de estruturas voltadas à conservação e ao armazenamento de água, como cisternas, barreiros, barragens subterrâneas e outros sistemas de captação de água da chuva. 

O programa também prevê ações voltadas à promoção da igualdade de gênero, ao protagonismo das juventudes rurais e à inclusão de populações historicamente vulnerabilizadas, com atenção especial à população negra, povos indígenas, comunidades tradicionais e agricultores familiares. 

A agroecologia será um dos princípios orientadores das ações, contribuindo para a diversificação dos sistemas produtivos, a geração de renda e a construção de uma transição justa baseada na bioeconomia e no uso sustentável dos recursos naturais. 

As ações priorizarão áreas da agricultura familiar, assentamentos da reforma agrária, territórios indígenas e povos e comunidades tradicionais – Foto: Divulgação/IRPAA

Governança  

A gestão do Recaatingar será realizada por um Comitê Gestor com composição paritária entre governo e sociedade civil. O colegiado reunirá representantes do MMA, do Serviço Florestal Brasileiro (SFB), do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e de organizações da sociedade civil indicadas no âmbito da Comissão Nacional de Combate à Desertificação (CNCD). 

A implementação das ações contará com recursos públicos, parcerias com o setor privado, emendas parlamentares e cooperação internacional. Nos próximos meses, o MMA publicará o manual operacional do programa, com os critérios técnicos e financeiros para execução dos projetos nos territórios. 

Combate à desertificação 

A criação do Recaatingar está alinhada às diretrizes do PAB-Brasil, que reúne 38 objetivos estratégicos e 175 ações voltadas ao enfrentamento da desertificação e dos efeitos da seca. O plano abrange mais de 1,6 mil municípios localizados em áreas suscetíveis à desertificação, o equivalente a cerca de 18% do território nacional. 

Conheça o Programa Recaatingar aqui

Assessoria Especial de Comunicação Social do MMA