Cerrado

Reserva Ecológica do IBGE passa a integrar sistema nacional de conservação e reforça proteção ao Cerrado

14 de julho de 2026

Área de 1,3 mil hectares no Distrito Federal passa a ser a Estação Ecológica do Roncador, com gestão compartilhada entre IBGE e ICMBio, fortalecendo pesquisas científicas e a preservação do bioma.

A tradicional Reserva Ecológica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), localizada no Distrito Federal, passa a integrar oficialmente o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (SNUC). A área, agora denominada Estação Ecológica do Roncador, terá gestão compartilhada entre o IBGE e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), fortalecendo as ações de preservação do Cerrado e de pesquisa científica.

A mudança foi oficializada por meio da Portaria nº 2.985, publicada nesta segunda-feira (13) pelo ICMBio. A medida resulta de um acordo de cooperação entre as duas instituições e mantém o IBGE como proprietário da área, enquanto a administração será realizada de forma conjunta.

Localizada na região do Jardim Botânico, ao lado da Fazenda Água Limpa, da Universidade de Brasília (UnB), a unidade possui aproximadamente 1.389 hectares de Cerrado preservado. Criada em dezembro de 1975, a área é considerada uma das mais importantes referências nacionais em pesquisas ecológicas de longo prazo e monitoramento ambiental, reunindo cinco décadas de estudos sobre biodiversidade, mudanças climáticas, manejo do fogo e conservação do bioma.

Com a nova classificação, a antiga reserva passa à categoria de Estação Ecológica, uma das modalidades de proteção integral previstas pelo SNUC. Esse enquadramento amplia a proteção ambiental da área e fortalece sua função como espaço dedicado à pesquisa científica e à preservação dos ecossistemas naturais.

Segundo o ICMBio, a Estação Ecológica do Roncador terá como principais objetivos conservar os ecossistemas do Cerrado e incentivar estudos sobre fauna, flora e os impactos das atividades humanas sobre o meio ambiente. A unidade também passará a contar com os instrumentos de gestão previstos para as unidades de conservação federais, como plano de manejo e mecanismos permanentes de governança ambiental.

O reconhecimento da importância da área vai além das fronteiras brasileiras. Desde 1993, a reserva integra o núcleo da Reserva da Biosfera do Cerrado, reconhecida pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). No local são desenvolvidos experimentos científicos de referência, incluindo pesquisas sobre o comportamento do fogo no Cerrado, seus efeitos sobre a vegetação, a fauna e as emissões de gases de efeito estufa, além de estudos que subsidiam políticas públicas relacionadas às mudanças climáticas e à conservação ambiental.

A portaria estabelece que os limites da nova estação ecológica foram definidos com base em imagens de satélite, dados cartográficos produzidos pelo próprio IBGE e referências do Sistema Geodésico Brasileiro. O acordo que formalizará a gestão compartilhada entre IBGE e ICMBio será firmado por meio de instrumento específico de cooperação entre os órgãos.

A transformação ocorre justamente no ano em que a unidade completa 50 anos de existência, consolidando sua relevância como um dos mais importantes laboratórios naturais do país para pesquisas científicas e para a conservação do Cerrado brasileiro.