PRIMAVERA E DIA DA ÁRVORE

A VIDA EM MOVIMENTO

31 de agosto de 2026

ÁRVORES, ÁGUA, FLORESTAS E A PRIMAVERA COMPÕEM A BELEZA DA VIDA

Silvestre Gorgulho

 “Aprendi com as primaveras a deixar-me 

cortar e a voltar sempre inteira”.

Cecília Meireles

  

 A natureza tem um jeiro de dizer é tempo de renascer. É a chegada da primavera tanto no hemisfério norte como no hemisfério sul do planeta Terra. Florescer significa passar pelas quatro estações no ano: verão, outono, inverno e primavera. No Brasil, em 21 de setembro, na chegada da primavera, também celebra do Dia da Árvore. A data serve para lembrar a importância de cuidar das plantas, das florestas e do meio ambiente. A fauna e a flora são símbolos vivos de natureza exuberante, de alegria, beleza e harmonia ecológica. Sem árvores, a natureza empobrece. Sem floresta, não há água, não há fauna e a vida entra em colapso. Em diversos países e nas mais variadas culturas há um respeito e até adoração por espécies de árvores. A árvore oferece ao ser humano um caleidoscópio de serventias: é alimento, é matéria-prima para moradia, é sombra e é até ataúde para sua despedida final.

 

 HISTÓRICO SOBRE DIA DA ÁRVORE

Comemoração no Centro-Sul e no Norte Nordeste

No Brasil, vale lembrar um dado histórico importante. A comemoração nacional do Dia da Árvore, no Brasil, aconteceu dia 21 de setembro até 1965, que marca o início da Primavera.. A partir de fevereiro de 1965, o então presidente Castelo Branco, primeiro governo do ciclo militar, sancionou o decreto-lei 55.795, que separou as comemorações.

No Centro-Sul, continuava o 21 de setembro e no Norte e Nordeste, a festa da árvore passou a ser na última semana de março. Motivo: é justamente o período de início das chuvas e, portanto, propício ao plantio de sementes.

E o que acontece hoje, seis décadas depois? Prefeitos, professores e alunos do Norte e Nordeste ainda insistem em comemorar o Dia da Árvore em 21 de setembro, contrariando o dispositivo legal.

Por quê? Porque a mídia e os livros didáticos, ao referendar pura e simplesmente o 21 de setembro como o Dia da Árvore, contribuem muito para aumentar essa desinformação.

DECRETO DE CRIAÇÃO DO DIA DA ÁRVORE

        O presidente da República, usando das atribuições que lhe confere o Art. 87, item I da Constituição,  DECRETA:

        Art 1º – Fica instituída em todo o território nacional, a Festa Anual das Árvores, em substituição ao chamado “Dia da Árvore” atualmente comemorado no dia 21 de setembro.

        Art 2º – A Festa Anual das Árvores tem por objetivo difundir ensinamentos sôbre a conservação das florestas e estimular a prática de tais ensinamentos, bem como divulgar a importância das árvores no progresso da Pátria e no bem-estar dos cidadãos.

        Art 3º – A Festa Anual das Árvores, em razão das diferentes características fisiográfico-climáticas do Brasil, será comemorada durante a última semana do mês de março nos Estados do Acre, Amazonas, Pará, Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia e Territórios Federais do Amapá, Roraima, Fernando de Noronha e Rondônia; e na semana com início no dia 21 de setembro, nos Estados do Espírito Santo, Rio de Janeiro, Guanabara; Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Distrito Federal.

        Art 4º – As comemorações ficarão a cargo dos Ministérios da Agricultura e da Educação e Cultura.

        Art 5º  – Os casos omissos serão resolvidos pelo Conselho Florestal Federal.

        Art 6º – Este decreto entrará em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário.

Brasília, 24 de fevereiro de 1965; 144º da Independência e 77º da República.

  1. CASTELO BRANCO
    Hugo de Almeida Leme
    Flávio Lacerda

A LENDA DOS IPÊS

Como e por que Deus criou os ipês?

Silvestre Gorgulho

Eu tinha uma professora muito criativa e didática, que gostava de contar histórias, fábulas e lendas nas suas aulas. Um dia, no final do mês de agosto, ela contou uma lenda que ficou gravada na minha memória.

 

Uma vez, o Cacique Pagé de uma tribo indígena na região do rio Xingu, no coração do Cerrado brasileiro, reuniu todas as crianças da aldeia e contou uma história.

Quando Tupã, o Deus do Trovão, estava preparando o mundo, viu que o Brasil era uma área muito grande e queria uma natureza esplendorosa. Então, em uma manhã de sol, Tupã se reuniu com todas espécies de árvores. Ele pediu para que cada árvore escolhesse a época que gostaria de florescer e embelezar a Terra. Foi aquela algazarra.

– Quero florir no outono – disse a primeira.

Outras gritavam:

– Quero florir no verão, pois gosto de muita água.

– Eu quero florir na primavera, a estação das flores.

Porém, Tupã observou que nem uma árvore escolhia a estação do inverno.

Então, Tupã parou a reunião e perguntou:

– Por que ninguém escolheu a época do inverno?

Cada árvore dava sua razão.

– Muito seco! Muito frio! Muitas queimadas!

Então, Tupã pediu um favor.

– Eu preciso que pelo menos uma árvore embeleze o inverno, que seja corajosa, para enfrentar o frio, a seca e as queimadas. No inverno, a Terra precisa de flores para embelezar o ambiente dos homens.

Todas árvores ficaram em silêncio.

Foi, então, que uma árvore quietinha lá no fundo, balançou as folhas e disse:

– Eu vou! Eu quero florescer no inverno. Nesse tempo seco e de queimadas.

Tupã, com um sorriso, perguntou:

– Qual seu nome, minha filha?!

– Me chamo Ipê, Senhor!

As outras árvores ficaram espantadas com a coragem do Ipê em querer florescer no inverno e na secura.

Então, Tupã respondeu:

– Por atender meu pedido farei com que você floresça no inverno não só com uma cor, mas com muitas cores. Para que, também, no tempo seco das queimadas o Brasil seja bem colorido. Como agradecimento, terás diferentes cores e texturas. Sua linhagem, Ipê, será enorme.

E, assim, Tupã fez uma das mais lindas árvores que dá cor ao inverno. Símbolo do Brasil.

NOMES DO IPÊ – O próprio termo ipê já é um nome popular de origem tupi que significa “árvore cascuda”. Dependendo da região do Brasil e da espécie, ele também é amplamente conhecido por outros nomes populares, como pau-d’arcopeúva e ipeúna.

O ipê é uma árvore com grande destaque no Brasil, famosa por sua espetacular e colorida floração durante o tempo seco. Pertence aos gêneros Handroanthus e Tabebuia (família Bignoniaceae). Na seca, o ipê perde suas folhas para dar lugar a densos cachos de flores, tipo branco – roxo da mata – amarelo da casca lisa, amarelo do cerrado, rosa, roxo da mata e púrpura.