MARINGÁ, A CIDADE CANÇÃO 2

O BATISMO E A URBANIZAÇÃO

31 de agosto de 2026

A cronologia da criação e urbanização de Maringá, hoje um município exemplo de sustentabilidade

Silvestre Gorgulho

A maioria das cidades brasileiras interioranas brasileiras nasceu às margens de rios ou em entroncamentos, quase sempre ponto de apoio e descanso de tropeiros. Maringá não fugiu a regra. No entrocamento ao noroeste do Paraná, em 1940, surgiu um núcleo rural rústico como ponto de apoio comercial para os trabalhadores da região. O núcleo foi batizado com o nome de Maringá.

 

Durante o processo de colonização do norte do Paraná pela Companhia de Terras Norte do Paraná, na década de 1940, a música “Maringá” era frequentemente cantada pelos trabalhadores nas frentes de desmatamento e construção. Segundo relatos, foi Elizabeth Thomas, esposa de Arthur Thomas, um dos diretores da Companhia de Terras Norte do Paraná, que  sugeriu que o núcleo recebesse o nome da música. A proposta foi aceita e tudo foi oficializado em 10 de maio de 1947.

CRONOLOGIA HISTÓRICA DE MARINGÁ

Inspirado na música que fazia sucesso na época da colonização, Maringá teve um ritmo frenético de desenvolvimento econômico, urbanístico e cultural.

Hotel Campestre,  primeiro hotel de Maringá, é inaugurado em 1942. Em setembro de 1956, foi construído o primeiro grande hotel de alvenaria e luxo da cidade nova chamado Grande Hotel Maringá, que depois passou a se chamar Hotel Bandeirantes.

1923 – O início de tudo foi em 1923, quando uma comitiva liderada por Edwin Samuel Montagu, ex-secretário de Finanças do Tesouro Britânico, veio ao Brasil para negociar uma dívida. Entre os membros da comitiva estava Simon Joseph Fraser, o 16º Lorde Lovat da Escócia, que viajou com outro objetivo em mente: procurar terras férteis para cultivar algodão, matéria-prima imprescindível para a indústria têxtil britânica.

Lorde Lovat visitou terras do interior paulista e chegou ao norte do Paraná. Decidiu investir na plantação de algodão na região e fundou a empresa Brazil Plantation Sindicate, responsável pelo gerenciamento de suas propriedades em terras brasileiras.

1925 – Em junho de 1925, é fundada a Paraná Plantations Company, empresa de Londres que comandaria a subsidiária Companhia de Terras Norte do Paraná, no Brasil. A região era predominantemente ocupada por florestas de Mata Atlântica, atraindo a atenção de produtores rurais paulistas, mineiros, japoneses e italianos, atraídos pela presença da terra roxa (nome vem de terra rossa, em italiano, ou terra vermelha).

1929 – Em 21 de agosto de 1929, foi fundada Londrina, uma homenagem a Londres, capital ingleza. Com a venda dos primeiros lotes de terra no “norte novo do Paraná”, veio a febre da ocupação da região. Era a chegada em massa de desbravadores. Nasceram os primeiros núcleos urbanos.

1938 – Começa a colonização de Maringá. O povoamento da área compreendida pelo atual município iniciou-se em 1938. Mas foi, apenas, a partir dos primeiros anos da década de 40, que começaram a ser erguidas as primeiras edificações de madeira, na localidade conhecida, mais tarde, por Maringá Velho. Em 1938, foi vendido o primeiro lote de Maringá, adquirido pelo padre alemão Emílio Clemente Scherer, que veio para o Brasil fugindo do  nazismo.

Esta foto aérea registra parte da atual Zona 3, quando a região ainda passava pela abertura de suas ruas e avenidas e dava os primeiros passos de sua ocupação urbana.

1940 – Em 12 de fevereiro de 1940, surge a primeira igreja de Maringá, construída pelo padre Scherer. Ele é considerado pioneiro. Foi o primeiro desbravador de Maringá. A propriedade que ele adquiriu foi batizada de Fazenda São Bonifácio. Vale lembrar que São Bonifácio foi um monge beneditino, conhecido como “Apóstolo da Alemanha”.

1942 –   Num entroncamento, surge nesse ano um pequeno povoado, que servia como ponto de apoio aos pioneiros desbravadores.

1943 –  Segundo o historiador do Patrimônio Histórico de Maringá, João Laércio Lopes Leal, foi em 1943 que nasceu o projeto da cidade de Maringá. O projeto é assinado pelo urbanista paulista Jorge de Macedo Vieira, adepto do conceito de “Cidade Jardim” elaborado pelo britânico Ebenezer Howard. O urbanista Macedo Vieira recebeu a ajuda de seu amigo e ex-colega da Escola Politécnica da USP, Cássio Vidigal, então diretor da Companhia de Terras Norte do Paraná.

1947 – A fundação oficial de Maringá – data em que a cidade comemora seu aniversário – é 10 de maio de 1947, quando a Companhia de Terras Norte do Paraná abriu um escritório na cidade. Essa Companhia foi adquirida por investidores brasileiros nos anos 1940 e, em 1951, rebatizada como Companhia Melhoramentos Norte do Paraná. Prestes a fazer 80 anos, Maringá tem hoje cerca de 430 mil habitantes.

1950 –  Na década de 1950, Maringá pulou de 40 mil habitantes para 100 mil, sobressaindo a Vila Operária e o Maringá Velho como regiões mais prósperas. Nesse contexto destacam-se no perímetro urbano as casas comerciais, serrarias, as máquinas de café e as cerealistas.

Idealizada por Dom Jaime Luiz Coelho e projetada pelo arquiteto José Augusto Bellucci, a bela Catedral de Maringá foi construída entre julho de 1959 e maio de 1972.

1960 –  Em 1960, Maringá registra expansão tanto vertical quanto horizontal, solidificando a posição de centro regional, atestando ares de metrópole. Na esteira do vertiginoso progresso nascem instituições seminais ao desenvolvimento sócio-econômico, caso da cooperativa COCAMAR (27 de março de 1963) e da Universidade Estadual de Maringá (1969), Basílica de Maringá, o Country Clube, o Parque do Ingá, o Parque Alfredo Nyffeler, o Parque do Japão e o Bosque das Grevíleas.

Em 1959, o compositor mineiro Joubert de Carvalho foi homenageado pela cidade de Maringá com o nome de uma rua, antes chamada de rua