MUDANÇAS CLIMÁTICAS

Comitê da UnB discute preparação de enfrentamento aos efeitos do El Niño

14 de setembro de 2026

Segunda reunião do grupo apresentou estudos e propostas sobre comunicação, áreas de refúgio, climatização e prevenção nos campi

Da Secretaria de Comunicação da UnB

Comitê abordou plano de comunicação com estratégias para tratar da temática entre comunidade acadêmica e externa. Foto: Beto Monteiro/Ascom GRE

 

A Universidade de Brasília tem discutido medidas para enfrentar os efeitos do El Niño e de eventos climáticos extremos. Na segunda reunião do Comitê de Enfrentamento aos Efeitos do El Niño, realizada nesta quinta-feira (3), no Salão de Atos, foram apresentados estudos, diagnósticos e propostas para orientar a preparação da Universidade. As medidas ainda estão em análise. Uma nova reunião está marcada para sexta-feira (11).

As discussões envolveram diferentes frentes, como comunicação com a comunidade, áreas de refúgio, condições térmicas dos espaços, monitoramento de riscos e prevenção de incêndios. As propostas serão avaliadas pelas áreas responsáveis antes de qualquer definição ou implementação.

O secretário de Comunicação, João Curvello, apresentou uma proposta inicial de plano de comunicação para o comitê. Entre as possibilidades discutidas estão estratégias de comunicação interna e externa, boletins periódicos e procedimentos para situações de crise.

ORIENTAÇÕES – A professora Isabel Belloni Schmidt, do Instituto de Ciências Biológicas (IB), apresentou contribuições relacionadas à prevenção e ao manejo do fogo no Cerrado. Para ela, além das medidas estruturais, a Universidade precisa preparar a comunidade para saber como agir diante de um incêndio.

Isabel sugeriu que informações simples e práticas sejam incorporadas às próximas ações de comunicação, como a orientação para não tentar combater o fogo sozinho, procurar um local seguro e acionar o Corpo de Bombeiros pelo telefone 193.

Na avaliação da professora, comunicar previamente como agir diante de um incêndio pode ajudar a reduzir riscos e evitar situações de pânico. “Tem coisas que são relativamente simples de dizer e de comunicar, que já podem ser comunicadas”, disse.

O manejo integrado do fogo também foi apontado como possibilidade para uma discussão de médio prazo. Segundo Isabel, o tema exige planejamento e estudos específicos.

ESPAÇOS E CLIMATIZAÇÃO – O diretor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU), Caio Silva, apresentou um diagnóstico prévio dos espaços de uso comum da Universidade e uma proposta inicial para áreas de refúgio, que poderiam oferecer condições térmicas mais adequadas durante períodos de calor intenso. A definição dos locais e das soluções depende de novos estudos e discussões.

A proposta foi discutida em conjunto com as alternativas apresentadas pela prefeita da UnB (PRC), Daniele Coelho. Ela expôs aos membros do comitê um estudo inicial sobre possibilidades de climatização, incluindo a eventual aquisição de aparelhos de ar-condicionado, ventiladores e climatizadores.

A análise da PRC considera as características de cada prédio e as condições de infraestrutura. A instalação de aparelhos de ar-condicionado, por exemplo, depende da capacidade da rede elétrica, da carga disponível e das condições de cada edificação. Ainda não há definição sobre equipamentos, espaços ou soluções a serem adotados.

ACEIROS – As discussões do comitê se somam a ações de prevenção que a Universidade já realiza. Durante o período de seca, a UnB intensifica a limpeza e a manutenção de aceiros nos campi e em áreas com maior presença de vegetação. São faixas de terreno livres de cobertura vegetal utilizadas como barreira para impedir a propagação de incêndios.

Na reunião, a experiência da Fazenda Água Limpa (FAL) foi apresentada como exemplo de uma estratégia preventiva já em funcionamento. A fazenda mantém cerca de 200 quilômetros de estradas internas e realiza ações de prevenção ainda no período chuvoso, quando a vegetação é manejada para permitir a manutenção dos aceiros.

Segundo relato apresentado ao comitê, aceiros preparados cerca de 15 dias antes de incêndios no Gama e em Ceilândia ajudaram a impedir que o fogo avançasse para áreas da Universidade.

Para a reitora Rozana Naves, a preparação para eventos extremos precisa fazer parte da rotina institucional. “Esses fenômenos inevitavelmente vão ser cada vez mais recorrentes, então a gente precisa estar preparado para responder a eles”, disse.

O assunto também foi tratado na reunião do Conselho Universitário (Consuni) da última sexta-feira (4), quando o coordenador de Paisagismo da Prefeitura da UnB, Madson Reis, apresentou algumas das ações para evitar e combater incêndios nos campi. As iniciativas devem ser ampliadas, como indica avaliação da coordenação.

NOVA AGENDA – A próxima reunião do comitê ocorre na sexta-feira (11). O encontro dará continuidade à análise das propostas e dos estudos apresentados nesta segunda reunião. As medidas permanecem em avaliação e poderão ser ajustadas à medida que os levantamentos avancem.

Confira também reportagem da UnBTV sobre o assunto:

 

ATENÇÃO – As informações, as fotos e os textos podem ser usados e reproduzidos, integral ou parcialmente, desde que a fonte seja devidamente citada e que não haja alteração de sentido em seus conteúdos. Crédito para textos: nome do repórter/Secom UnB ou Secom UnB. Crédito para fotos: nome do fotógrafo/Secom UnB.