AMAZÔNIA: MERGULHO NO BRASIL REAL 5

AULA NA FLORESTA: EDUCAÇÃO, CULTURA E HISTÓRIA

1 de novembro de 2026

O que ficou de uma inesquecível viagem ao Tapajós

Por Silvestre Gorgulho (texto e fotos)

08Toda a família — pais e crianças — viveu uma viagem de encantamento e profundo aprendizado. Todos embarcaram no Aruã como cidadãos urbanos e desembarcaram como verdadeiros guardiões dos rios, dos animais e da selva brasileira. O que viram, sentiram e vivenciaram não cabe na bagagem: é a certeza de que a floresta e seus povos originários fazem parte de um mesmo Brasil e de um mesmo povo. O privilégio deste avô transformou-se no maior legado para toda a família, estendendo-se aos círculos de amizade e aos colegas de escola. A prova final desse impacto está nas mensagens registradas no “livro de visitas” do barco e na espontânea manifestação de cada um ao agradecer ao cacique Domingos Mundurucu e à tripulação. São palavras que combinam sensibilidade, surpresa, encantamento e amor. Vale a pena rememorar.

 

A primeira surpresa foi quando, pela primeira vez, houve uma oportunidade de se manifestar publicamente. O ritual do fogo, da purificação e da bênção promovida pelo cacique Domingos Mundurucu, na tarde do dia 26 de setembro, sábado, na aldeia, impactou a todos. Crianças e adultos ficaram hipnotizados pela autenticidade, beleza e espiritualidade nas palavras do cacique ao encerrar a cerimônia dos rituais:

– “É a segunda vez que o senhor Silvestre vem aqui na aldeia com sua família e amigos. Ficamos amigos. Sempre nos falamos pelo telefone samsung que ele mesmo, com seus amigos, me presentearam na viagem de uns cinco anos atrás. Agora ele trouxe os filhos e netos. Que alegria! Estamos felizes em receber essas crianças que brincaram a tarde toda com nossas criança. Que vocês todos voltem para suas casas levando um pouquinho do que somos aqui e lembrem sempre de nossa luta pela florestas”.

Clarinha, de apenas 7 anos, brincou com as índias de sua idade e depois perguntou ao cacique Domingos Mundurucu quantos indios viviam ali na aldeia. O cacique explicou que no passado tinha muito mais índios. Hoje ali vivem mais ou menos uns 100 indios. Ele explicou que hoje os mais jovens têm possibilidade de estudar e de trabalhar tanto em Santarém como em Alter do Chão. Como a viagem é longa, leva mais de 5 horas, todos acabam morando mais perto do trabalho e da escola.

 

SUPRESA E SENSAÇÃO DE MISSÃO CUMPRIDA

Depois das palavras do cacique, minha filha Maria Fernanda pediu que eu falasse em nome do grupo. Falei, agradeci e me emocionei. Aí veio minha maior surpresa. Mais do que surpresa, um certo orgulho, pois tive a sensação de uma missão cumprida – ainda que, apenas, no segundo dia da viagem – pela percepção do sucesso da expedição no merculho nas belezas do rio Tapajós. Acabei de falar, imediatamente uma voz ecoou no meio da taba, onde deveria ter no minimo umas70 pessoas. Todos olharam para ela com espanto. Era Isabella Sarkis Nogueira, de apenas 9 anos.

– Eu quero falar. Eu quero agradecer. Eu quero dizer que estou muito feliz aqui. Nunca tinha visto uma coisa dessas. Obrigado, Cacique.

Emoção geral. Isabella Sarkis Nogueira sendo ISABELLÍSSIMA! “Eu também quero agradecer…

 

E aí, todos falaram. Uns com agradecimentos mais longos e outros, os menores, com apenas um “muito obrigado”. Eu feliz! A viagem começava eternizar na retina e no coração de cada um.

AS MENSAGENS

Mensagem do Maria Carolina Simão Gorgulho, 11 anos.

Na sua mensagem,  Arthur Gorgulho Jucá, 11 anos escreveu: “Muito Obrigado. Já rodei o mundo, todos os continentes e esse lugar é o melhor. Viajando pelas águas do Tapajós, um dos 1101 afluentes do rio Amazonas, me encontrei com a maior biodiversidade que já vi. Uma floresta incrível, uma tribo incrível. Mas o principal foi o barco Aruã e sua tripulação. Obrigado Gonzaga, Bené, Cilene e Cléia…”

Mensagem do Rafael Simão Nogueira, 8 anos.

 

Mensagem de Luiza Sarkis Nogueira, 11 anos.

 

Mensagem da Isabella Sarkis Nogueira, 9 anos. Uma sensibilidade para viagem de aventura e pela natureza.

 

UMA CONCLUSÃO BEM OBJETIVA. As águas cristalinas e as praias do rio Tapajós, a trilha pela Floresta Nacional do Tapajós para chegar até a Samaúma gigante e os passeios no barco Aruã, sempre agradáveis e seguros, proporcionaram ao grupo, sobretudo às crianças, terem um contato direto com as comunidades ribeirinhas e indígenas. São experiências interdisciplinares insubstituíveis. Em cada atividade, conceitos complexos como biodiversidade, ciclo da água, sustentabilidade e saberes tradicionais ganham formas, cores e realidades visíveis e palpáveis. Lições para formação da identidade brasileira.