DF

UnB toma medidas preventivas e de combate às crises climáticas

6 de novembro de 2026

Comitê institucional elabora plano que prevê adaptações na infraestrutura e ações contra incêndios. Comunidade também pôde contribuir na proposição de soluções

Julia Dias* UNB

Diretrizes e ações do Comitê de Enfrentamento às Emergências Climáticas envolvem redução de riscos e prevenção em situações de incêndios, calor extremo, baixa umidade, escassez hídrica e chuvas intensas. Arte: Francisco George Lopes/Secom UnB

Diante da intensificação dos eventos climáticos extremos, a Universidade de Brasília (UnB) atua ativamente no entendimento, na prevenção e no enfrentamento à crise climática. Por meio de articulações a nível federal e com instituições de ensino superior, a Universidade vem desenvolvendo ações para mitigar os impactos deste cenário.

A atuação institucional está organizada em três frentes: a participação em discussões promovidas pelo Governo Federal; a representação em um grupo de trabalho da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes); e a criação do Comitê de Enfrentamento às Emergências Climáticas (Cenec), responsável por articular ações na UnB.

Em entrevista à UnBTV, a reitora Rozana Naves destaca a importância da participação da Universidade nas discussões sobre o tema, especialmente pela posição estratégica de Brasília para o debate sobre os impactos climáticos no Distrito Federal e na região Centro-Oeste.

“Os eventos extremos têm acontecido em intervalos de tempo cada vez menores”, diz Naves. A reitora ressalta que a Universidade precisa desenvolver medidas para lidar com essas ocorrências, considerando tanto a segurança da comunidade acadêmica quanto a continuidade das atividades de ensino, pesquisa e extensão.

Reitora da UnB, Rozana Naves, em entrevista à UnBTV sobre a atuação da Universidade diante das crises climáticas. Imagem: Reprodução/UnBTV

PREVENÇÃO E SEGURANÇA NOS CAMPI – Entre as providências já tomadas estão as ações de prevenção a incêndios, especialmente durante o período de estiagem no Distrito Federal. A Prefeitura da UnB (PRC) realiza a manutenção de aceiros, faixas de proteção que dificultam a propagação do fogo em áreas verdes próximas a edificações e espaços de circulação.

Essas medidas são importantes diante do aumento da frequência de incêndios nas proximidades da Universidade. Na entrevista, Rozana menciona episódios recentes no Gama e em Ceilândia, além do incêndio próximo ao Ibama, que chegou perto dos muros da Casa do Estudante (CEU), no campus Darcy Ribeiro, Asa Norte.

Segundo a reitora, as ações preventivas já implementadas contribuíram para impedir que o fogo alcançasse as dependências da Universidade. No entanto, ela destaca a necessidade de ampliar o planejamento institucional para orientar a comunidade sobre como agir em situações de emergência, incluindo possíveis evacuações, suspensão de aulas e cuidados durante os períodos de calor extremo.

Além disso, o Comitê prepara medidas de adaptação da infraestrutura da UnB para amenizar contextos de calor extremo, que muitas vezes podem afetar o processo de aprendizagem e o bem-estar da comunidade universitária. “O objetivo do nosso comitê é avançar em todas essas discussões”, afirma a reitora.

No roll de ações, também estão inclusos a manutenção de aparelhos de ar-condicionado, a aquisição de climatizadores e umidificadores, estratégias de irrigação dos jardins e o monitoramento das condições ambientais e de saúde da comunidade.

Já considerando os períodos de chuvas intensas, estão previstas ações relacionadas à drenagem dos espaços e à limpeza de calhas, para reduzir riscos de alagamentos. “Tudo isso está sendo englobado nesse planejamento.”

Manutenção de aceiro realizada pela Prefeitura da UnB na Faculdade de Ciências e Tecnologias em Saúde (FCTS), campus de Ceilândia. Foto: Cops/PRC

Todas essas iniciativas são apontadas no Plano Institucional de Preparação, Resposta e Recuperação da Universidade de Brasília frente aos Eventos Climáticos Extremos, elaborado pelo Cenec. O documento reúne medidas para proteger a comunidade, reduzir riscos e assegurar a continuidade das atividades e a recuperação das estruturas e dos serviços afetados. O plano detalha a atuação prioritária da Universidade na temática, abrangendo cenários climáticos diversos, como calor extremo, baixa umidade, escassez hídrica, incêndios, fumaça e chuvas intensas.

>> Clique aqui e confira o plano

CONTRIBUIÇÕES DA COMUNIDADE – A construção do plano institucional também prevê a participação da comunidade universitária. Entre 19 e 31 de outubro, o Comitê realizou consulta pública para receber contribuições de estudantes, docentes, servidores técnico-administrativos, trabalhadores terceirizados e demais pessoas que utilizam os espaços e serviços da Universidade.

Durante o período de consulta, os participantes puderam indicar situações que exigem atenção, sugerir alterações nas medidas propostas e apresentar iniciativas, pesquisas e recursos que possam contribuir para a execução do plano. O resultados estão em consolidação e servirão para aprimorar a versão inicial do documento.

“Isso é uma construção que depende de todos”, observa Rozana Naves. Para a dirigente, a participação da comunidade é fundamental para a construção de respostas aos desafios climáticos. A reitora também destaca o papel da Universidade na produção e na divulgação de conhecimento científico, na educação ambiental e no enfrentamento à desinformação sobre as mudanças climáticas.

“Uma das frentes do comitê vai ser atuar na área de pesquisa, extensão e inovação”, explica. A expectativa, segundo ela, é que essas iniciativas contribuam não apenas para o desenvolvimento de novas tecnologias e conhecimentos, mas também para a construção de soluções sustentáveis junto às comunidades.

Confira a íntegra da entrevista da reitora Rozana Naves para a UnBTV:

*estagiária de Jornalismo na Secom/UnB.