Coluna do Meio

28 de janeiro de 2004

Por água abaixoÉ grande a instabilidade na Agência Nacional de Águas.O que mais se fala pelos corredores é que está sendo alinhavado, na Casa Civil, um projeto para acabar com a ANA, como agência reguladora, para criar uma nova autarquia.E o assunto deve pegar fogo na próxima reunião do Conselho Nacional de Recursos Hídricos, a… Ver artigo

Por água abaixo
É grande a instabilidade na Agência Nacional de Águas.
O que mais se fala pelos corredores é que está sendo alinhavado, na Casa Civil, um projeto para acabar com a ANA, como agência reguladora, para criar uma nova autarquia.
E o assunto deve pegar fogo na próxima reunião do Conselho Nacional de Recursos Hídricos, a ser realizada agora nos dias 25 e 26 de junho.
É o que podemos chamar de fritura em dose dupla: pega toda a diretoria da ANA (que tem mandato) e pega a própria instituição, que tem liberdade para regular o mercado de água.
Definitivamente, um retrocesso.


Água virtual 1
O mundo virtual chegou para mudar.
Para mudar e criar novos conceitos de trabalho, de comportamento e de vida.
Por exemplo, na área ambiental o que mais se fala agora é na água virtual.
Dizem os entendidos que esse deve ser um dos mais importantes itens dos fluxos internacionais de comércio.
E será que o Brasil está se preparando para mais essa contenta do mundo globalizado na Organização Mundial do Comércio.
Segundo o ambientalista Carlos Tautz, o Brasil é 10ª maior exportador de “água virtual” do mundo, em ranking liderado pelos Estados Unidos, que anualmente vende ao exterior em média 164 milhões de metros cúbicos de água.
Tido como um dos países mais ricos em água potável do planeta, o Brasil foi responsável pela comercialização no mercado internacional, entre 1995 e 1999, de uma quantidade entre 10 milhões e 100 milhões de m3³ de água virtual, tendo a maior parte deles como destino a Europa.


Água virtual 2
Para Carlos Tautz “água virtual” é ainda um conceito muito novo e refinado.
Os técnicos usam muito nos debates e os cientistas estudam as mais diversas variáveis deste produto, devido à escassez que se avizinha.
Para o cientista Arjen Hoekstra, do Instituto Internacional de Infra-estrutura Hidráulica e Engenharia Ambiental, água é virtual porque ela é necessária para produzir um determinado bem, mas após o bem ser produzido, quase ele não contém mais água.


Água virtual 3
O próprio Carlos Tautz dá um exemplo clássico:
Cada quilo de pão, para ser produzido, gasta cerca de 150 litros de água, se for considerado o plantio do trigo até a produção de energia para assar o pão.
No caso da batata, são utilizados entre 100 e 200 litros de água, enquanto a mesma quantidade de arroz consome 1.500 litros.
Cinco mil chips de 32MB, cada um pesando 2g, consomem 16 mil litros de água para serem fabricados.
Qual a lição que fica? Levando em conta a nobreza dos recursos hídricos, sua escassez e que quase 20% da água mundialmente consumida na agricultura é comercializada com outros países sob a forma de produtos derivados das mercadorias agrícolas, é bom o Brasil começar a fazer conta e injetar a água em suas exportações.


“A ministra Marina Silva e o Carlos Langoni não têm tempo para dar retorno,
por telefone mesmo, aos companheiros históricos da mídia ambiental brasileira. Companheiros, veículos e sonhos esses que nunca estiveram tão na ‘lista de extinção’,
como agora, contraditoriamente, no governo do PT”.

Grito de alerta do ambientalista e jornalista mineiro Félis Concolor sobre o esvaziamento ambiental do governo Lula.