Folha do Meio HÁ 14 ANOS

Garimpo destrói homem e natureza

1 de abril de 2004

Garimpeiros foram flagrados, em Mato Grosso, com 170 gramas de pasta de cocaína, além de porte ilegal de armas. O fato ocorreu em batida policial realizada em garimpos nos rios Teles Pires e Peixoto de Azevedo, onde foram encontradas também 200 dragas escariantes, proibidas por lei. Até agora os garimpeiros se destacavam por serem os… Ver artigo

Garimpeiros foram flagrados, em Mato Grosso, com 170 gramas de pasta de cocaína, além de porte ilegal de armas. O fato ocorreu em batida policial realizada em garimpos nos rios Teles Pires e Peixoto de Azevedo, onde foram encontradas também 200 dragas escariantes, proibidas por lei.


Até agora os garimpeiros se destacavam por serem os maiores predadores do meio ambiente e por envenenarem os rios com mercúrio, provocando a morte ou o acúmulo desse metal em peixes e vegetais. Assim, todo homem que ingere pescado ou outro alimento contaminado com mercúrio, pode morrer ou contrair graves distúrbios e doenças, a longo prazo, inclusive câncer. Além de tudo isso, agora há uma novidade: o uso de pasta de cocaína, não se sabe ainda se para o consumo ou se para tráfico.


INVASÕES – A par do que foi achado em Mato Grosso, não menos graves foram os fatos ocorridos recentemente em Roraima. Para pressionar o governo federal a voltar atrás na sua disposição de fazer cumprir a lei (retirar os garimpeiros de áreas indígenas, proteger as terras e águas de Roraima e evitar incômodos à população da vizinha Venezuela, país que cuida da saúde de seus cidadãos), os garimpeiros, reunidos no centro de Boa Vista, incitaram a invasão do Palácio Episcopal e dos Correios, num claro desafio à ordem pública e à propriedade, privada e pública. O governador Romero Jucá – sempre apoiando os garimpeiros e de olho em sua candidatura ao Senado – anunciou, na ocasião, a liberação dos garimpos interditados poucos dias antes pela Polícia Federal, inclusive de pistas de aviação. Muitas destas são clandestinas e ilegais, afrontando a Aeronáutica brasileira, por não possuírem registro no Ministério da Aeronáutica e não oferecerem condições de segurança.


E para completar o quadro, o presidente do Sindicato dos Garimpeiros de Roraima, José Teixeira Peixoto, foi preso, acusado de ter mandado matar um policial que investigava as inúmeras irregularidades e crimes praticados pelos garimpeiros.


Estudo do DNPM condena a atividade


Entre 1980 e 1988, os garimpos instalados na Amazônia Legal foram responsáveis pelo lançamento de 1,8 mil toneladas de mercúrio na região. Neste mesmo período, o Brasil produziu 295 toneladas de ouro, sendo que 216 saíram dos garimpos e o restante da exploração industrial. Isso sem contar a enorme produção contrabandeada. Estes dados constam de uma pesquisa do 5º Distrito do Departamento Nacional de Produção Mineral – DNPM, sediado em Belém, juntamente com o Centro Tecnológico da Universidade do Pará – UFPA. A partir da análise de 641 amostras de sangue, cabelo, peixes, urina, sedimentos e solo, abrangendo 16.690 hectares, que representam toda a área de garimpo da Amazônia, os técnicos concluíram que a região está vivendo uma “tragédia silenciosa”.


A Folha do Meio Ambiente circulou pela 1ª vez em 23 de junho de 1989. Nestes 14 anos, o jornal passou a chegar a 3.250 municípios, a todos os postos diplomáticos brasileiros no exterior, a todas embaixadas estrangeiras no Brasil e a mais de 15 mil escolas no País.