COP 8 - Cconferência das Partes da Conveção sobre a Diversidade Biológica

AGORA É TEMPO DE AGIR

13 de fevereiro de 2006

Ahmed Djoghlaf veio a Brasília e se encontrou com a ministra Marina Silva para acertar detalhes do encontro de Curitiba. “A COP-8 precisa ser a pedra fundamental de uma renovada parceria mundial pela biodiversidade”, afirmou ele. Frente à realidade assustadora da perda de biodiversidade, 110 Chefes de Estado e de Governo se comprometeram, em 2002,… Ver artigo

Ahmed Djoghlaf veio a Brasília e se encontrou com a ministra Marina Silva para acertar detalhes do encontro de Curitiba. “A COP-8 precisa ser a pedra fundamental de uma renovada parceria mundial pela biodiversidade”,
afirmou ele.


Frente à realidade assustadora da perda de biodiversidade, 110 Chefes de Estado e de Governo se comprometeram, em 2002, por meio da Meta de Biodiversidade de 2010, a “alcançar até 2010 uma redução significativa da taxa atual de perda de biodiversidade nos níveis global, regional e nacional, como uma contribuição à redução da pobreza e para benefício de toda a vida na Terra”. Este compromisso foi confirmado por 154 Chefes de Estado na Cúpula de 2005, em Nova York.
Agora em março, 14 anos após a RIO?92, a Convenção sobre Diversidade Biológica retorna ao Brasil, seu local de origem, e um dos países mais biodiversos do mundo e um líder mundial em biotecnologia moderna, irá sediar o 8o encontro da Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (COP-8) e o 3o  encontro das Partes do Protocolo de Cartagena sobre Biossegurança (MOP-3).
Curitiba será a plataforma de lançamento para ações sobre a meta de 2010.
1 – Precisamos lidar com as ameaças à biodiversidade geradas pelas atividades humanas. A taxa de perda e degradação de habitats, pelas mudanças no uso do solo e pelo uso insustentável da água, deve diminuir. Precisamos controlar os caminhos pelos quais espécies invasoras, como o mexilhão dourado e alguns tipos de pastagem, se estabelecem. Precisamos reduzir a poluição, inclusive o aumento do nitrogênio e dos gases do efeito estufa.
2 – Precisamos conservar a biodiversidade de todos ecossistemas. Pelo menos 10% de cada área de relevante interesse ecológico devem ser efetivamente conservados.
A expansão de redes globais de áreas protegidas, até de pequenas matas, é muito importante. Também precisamos dar alguns passos para conservar a diversidade genética de plantações, de animais domésticos e selvagens, de espécies arbóreas e peixes.
3 – Padrões de consumo insustentáveis precisam ser reduzidos e devemos encontrar maneiras de garantir que produtos derivados da biodiversidade sejam retirados de fontes sustentavelmente geridas.
Devemos juntar todos os recursos à nossa disposição para alcançar a meta de 2010. Alguns recursos já estão ao alcance de nossas mãos. Existe uma riquíssima bagagem de conhecimentos tradicionais sobre o uso da biodiversidade, que é dominada por comunidades locais e indígenas, que corre o risco de desaparecer. Preservar esse conhecimento é vital tanto para o benefício dessas comunidades como das futuras gerações.
Recursos precisam ser mobilizados. Países em desenvolvimento necessitam desesperadamente de assistência técnica, de transferência de tecnologia e conhecimento científico. Para que a conservação da biodiversidade e as atividades de uso sustentável recebam financiamento adequado, preocupações com a biodiversidade precisam ser incorporadas aos processos de planejamento de desenvolvimento nacionais relevantes, inclusive os Documentos de Estratégia para a Redução da Pobreza.
A maior parte dos programas de trabalho da Convenção sobre Diversidade Biológica já incluem as ferramentas necessárias para alcançar a meta de  2010. Mas precisamos garantir que preocupações com a biodiversidade sejam refletidas nas políticas e nas tomadas de decisões dos principais setores econômicos, incluindo alimentação e agricultura, comércio, desenvolvimento e aqueles envolvidos na erradicação da pobreza.
Alcançar a meta de 2010 irá demandar um esforço sem precedentes. Há que se ter o engajamento de governos, das partes interessadas e de todos os cidadãos do mundo. Esse é um desafio global. Ninguém pode assumir posição de observador. Temos apenas quatro anos para demonstrar o nosso comprometimento. O tempo de discussões passou. Agora é tempo de agir.


(*) Ahmed Djoghlaf, Secretário Executivo, Convenção sobre Diversidade Biológica 


Summary


The time to act is now


 


Ahmed Djoghlaf (*)


 


Never before in human history has biodiversity loss been so great.  Over the last 100 years, human-caused species extinction has multiplied as much as 1,000 times.  Some 23% of mammals, 25% of conifers and 32% of amphibians are threatened with extinction.  Fish stocks have been reduced by 90% since the start of industrial fishing.


 


In 2002, faced with this frightening reality, world leaders made a commitment to, “achieve by 2010 a significant reduction of the current rate of biodiversity loss at the global, regional and national level as a contribution to poverty alleviation and to the benefit of all life on earth.” 


Action to achieve the 2010 Biodiversity Target will start now, in Brazil, where the Convention on Biological Diversity was born at the Earth Summit in Rio de Janeiro 14 years ago. In March, the city of Curitiba will host the eighth meeting of the Conference of the Parties of the Convention on Biological Diversity (COP-8) and the third meeting of the Parties to the Cartagena Protocol on Biosafety (MOP-3).  It will be the launch pad for these actions to save Mother Earth:


 


Address the threats to biodiversity posed by human activities.  Loss and degradation of habitats due to land-use change and unsustainable water use must decrease.  We must control invasive species such as the golden mussel and molasses grass.  We must reduce pollution, including nitrogen and greenhouse gases.


 


Conserve biodiversity in ecosystems around the world.  At least 10% of each of the world’s ecological regions should be effectively conserved, especially areas particularly rich in biological diversity.  We must expand global networks of protected areas, including marine protected areas.  We need to conserve the genetic diversity of crops, livestock and harvested species of trees, fish and wildlife.


 


Unsustainable consumption patterns need to be reduced. We must find ways to ensure that our consumption is in line with the ability of the Earth to provide.


 


We need to equitably share the benefits arising from the use of genetic resources.  The international community needs to make progress on an international legal regime on access to genetic resources and equitable sharing of the benefits from their use.


 


For the benefit of future generations, we need to preserve the rich but fragile body of traditional knowledge on the use of biodiversity held by indigenous and local communities around the world.


 


We must marshal all our resources to achieve the 2010 Target. Developing countries require technical assistance, technology and scientific expertise.


 


If we achieve these goals, we will maintain the “ecosystem goods and services” that provide basic material needs for our survival as well as other aspects of a good life such as health, security, good social relations and freedom of choice.


For the most part, the programmes of work of the Convention on Biological Diversity already include the tools needed to achieve the 2010 Target.  These tools need to be part of policies for key economic activities around the world, including food and agriculture, trade, development and poverty eradication.


Achieving the 2010 Target will require an unprecedented effort.  It will demand engagement not only by governments, but all stakeholders and therefore all citizens of the world.  No one can afford to be passive. The time for discussion has passed. We have four more years to make our commitment real.  Now is the time to act.