Editorial

11 de junho de 2011

Caro Leitor:  a Folha do Meio Ambiente nasceu em junho de 1989, três anos antes da RIO-92. E, às duras penas, estamos conseguindo nestes 22 anos a cumprir um papel de educação e conscientização. Agora, às vésperas da RIO+20, vale a pena relembrar que o homem é movido em direção ao seu interesse, seja ele… Ver artigo

Caro Leitor:  a Folha do Meio Ambiente nasceu em junho de 1989, três anos antes da RIO-92. E, às duras penas, estamos conseguindo nestes 22 anos a cumprir um papel de educação e conscientização. Agora, às vésperas da RIO+20, vale a pena relembrar que o homem é movido em direção ao seu interesse, seja ele econômico, político ou sentimental. Está aí o novo Código Florestal que não deixa mentir. Ou seja, o ser humano defende e protege seus amigos, sua família e seus parceiros, ataca quem se diz seu inimigo e é extremamente isento e justo com quem não lhe diz respeito.


Assim são os executivos de empresas e assim também são os chefes de governo das nações. Roma invadiu a Europa e a África sempre atrás de algum tipo de bem: nunca cultural, sempre material. A Inglaterra, a Europa, Portugal e Espanha conquistaram o mundo também porque estavam atrás de recursos naturais – ouro, prata e especiarias – e até de recursos humanos – escravos. Hoje o império norte-americano pressiona e até faz guerra pelos mesmos motivos: defender mercados e ter petróleo. Nada mudou. Nem os homens, nem as nações e muito menos seus objetivos.


A única coisa que muda é exatamente o objeto de desejo. Se antes era o ouro, hoje é o gen de uma planta. Se no passado eram as especiarias, hoje são as propriedades terapêuticas de um cipó. Se antes era o escravo, hoje é o petróleo. E se outrora era a terra, hoje é o espaço. E assim caminha a humanidade…


Mas tem uma coisa que o homem começou a perceber que para ele conquistar, não basta ser mais forte e nem ir à guerra. Tem que entrar num acordo já: o meio ambiente.


O motivo é bem simples: a Terra é uma só. O ar e o clima, como as aves do céu, não obedecem fronteiras. O efeito estufa, a biodiversidade, os recursos hídricos e o degelo polar são elementos da natureza que, para o bem ou para o mal, vão influenciar lá e aqui. No norte e no sul. Na Conchichina e no jardim de nossa casa.


E como resolver um assunto tão complexo como esse? Como compatibilizar tantos interesses de tantas nações onde vivem quase 7 bilhões de seres humanos? Não adianta fazer um cabo de guerra. Há que haver inteligência, bom senso, equilíbrio para colocar os prós e contras na mesa e ver o que será melhor. Para isso, nada como o bom exercício da diplomacia.


E a RIO+20, que acontecerá em junho de 2012, é justamente para isto.


Silvestre Gorgulho